O homem sem medo (1ª Temporada – com spoilers)

Hoje trago pra vocês minha review da primeira temporada da série Demolidor (Daredevil), que assisti no Netflix. Mas antes, vale uma pequena introdução curiosa.

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Valei-me, Netflix!

Há algum tempo, realizei um sonho de adolescente e comprei um videogame. Digo mais: além de conseguir adquirir o console baratinho, ainda constava na promoção um copo e uma camiseta à escolha. Mas aí tinha várias camisetas de um monte de animes que eu nunca ouvi falar e uma do Demolidor, que eu meio que conhecia.

Pausa para o hate. Sim, minha infância era Pokémon e Laboratório de Dexter, mas minha adultez tá dedicada a corrigir isso!

Enfim, escolhi a do Demolidor, porque era a única que fazia algum sentido pra mim. Pra não dizer que não sabia nada, já tinha visto o vídeo do Elegante no Youtube sobre a história dele (aqui) e não estava completamente no escuro. Aí fui jogar vôlei um dia com a camiseta (é de graça, né, tem que usar) e um amigo perguntou o que eu tinha achado da primeira temporada, que ele tinha gostado e… interrompi ele pra confessar minha ignorância. Ele foi compreensivo, rimos muito e ele nunca mais falou comigo por que eu sou um poser de merda. Percebi que eu não queria que isso acontecesse de novo – e a ideia de assistir a série me era positiva – e comecei a ver. Enfim, contado esse pequeno preâmbulo, vamos falar da série!

  • Visão Geral da Série – Enredo
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Toma essa, Ben Affleck!

Demolidor é uma série sobre Matt Murdock, um herói cego que luta contra o crime em Hell’s Kitchen, bairro suburbano de NYC. Um homem que durante o dia pratica a lei como sócio da Nelson & Murdock, enquanto passa as noites tentando desmantelar as organizações criminosas que operam na região. Acho que o próprio buzz da série focada no homem sem medo permitiu que as histórias se construíssem de maneira tranquila, sem a absurda pressão dos deliverys dos telespectadores desde o episódio 1. A série mostra a infância de Matt, sua admiração pelo pai e como perdeu a visão; mostra como aprendeu a viver sem ela e como enxergar o mundo com um sentido a menos.

Nesse sentido, fica meu 7 como nota. Eu, que pouco sabia sobre o personagem, esperava um enredo um pouco mais doentio em seus conflitos. Talvez esse seja um problema meu com as séries, mas tudo precisa de um excelente motivo, quando o que eu quero mesmo é alguém meio Nazaré Tedesco, sabe?

  • Personagens – Casting e Arcos
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Vários atores (quase) conhecidos

Por mais que soe hipócrita, após o que eu escrevi, essa categoria mereceu meu 9! Gosto da representatividade, vi nos personagens uma esfericidade que soa coerente e, principalmente, gostei das características especiais de quase todos os personagens.

Os arcos de Karen Page e Ben Urich são os melhores da primeira temporada, pra mim. Ambos partem de uma situação de inércia e se tornam imprescindíveis pro funcionamento do roteiro. Diferente das outras mulheres da série, Karen sustenta um protagonismo de modo sólido – mesmo que ela escorregasse no melodrama de vez em quando. Ben dispensa comentários: apaixonado, enérgico, sábio, vou sentir sua falta e odeio muito o Wilson Fisk por matá-lo.

Por outro lado, no time dos malvados, apenas ele, o Rei do Crime, se salva em termos de arco: decisões ruins para todos fizeram os irmãos russos serem o ponto alto da parte vilanesca da série. Claro, os cegos de Gao foram surpreendentes, mas todo o ambiente construído para a vilã se corrói em menos de um episódio – e sem comentários pra morte do Wesley.

 

  • Edição – Planos e Filtros
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Ah, não era cego CEGO…

Definitivamente, essa não é uma série para se assistir à tarde. Quase tudo o que realmente acontece na primeira temporada rola na calada da noite. O escritório de advocacia, então, parece ser no subsolo de um shopping, por que lá dentro nunca bate sol.

Como se não bastasse a iluminação, muitas cenas foram exibidas em planos muito curtos e muito rápidos, de forma que me fez pensar “tá, deve ter alguém lutando, mas não sei quem tá apanhando e quem tá batendo”. Nota 7 – só porque disse pra mim mesmo que a escuridão era, também, um personagem importante da história, contribuindo para que ficássemos também um pouco “cegos”.

 

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Demolidor é uma péssima tradução.

Nesse espaço, escolhi dois temas que merecem um 10: a questão religiosa (alguém surpreso que o cristãozinho não ia notar?) e o dilema do Daredevil.

Sobre a parte religiosa, fui capaz de ver amigos padres na pessoa de Lantom, preocupados muito mais com os efeitos espirituais dos atos de seus paroquianos do que com a prática daquilo que fazem. Esse assunto já emenda no próximo, pois é com o mesmo Lantom que Matt conversa sobre seu conflito entre o desejo de matar e sua crença de que isso é errado. O sacerdote aponta que talvez o amigo pudesse usar essa avidez que o demônio incutiu em sua alma para aproximar as pessoas de Deus. Discussões teológicas à parte, esse diálogo ao mesmo tempo que confronta, conforta o herói, pelo menos na manutenção de sua missão.

Em resumo, fui sem grandes expectativas para a série e, tirando alguns momentos cansativos, a série me manteve motivado e levemente surpreso positivamente. Recomendo bastante (nota geral 8) e já vou começar hoje mesmo a segunda temporada. Avante!

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