30 de Junho de 2002

Quinze anos. Tem uma música do Djavan com esse nome, no álbum Rua dos Amores, de 2012. A letra é sobre um amor que deu certo. Djavan comemorava, com a canção, a união de 15 anos com sua esposa. Hoje nós também sentimos uma alegria, referente a outro amor que deu certo: hoje somam-se 15 anos do penta da nossa seleção.


@octavioff

Senhoras e senhores, o tamanho da agonia! A torcida coruja já me pegava desde o começo da Copa do Mundo, e a copa de 1998 era a primeira de que me lembrava (com aquele 3×0 contra muito suspeito). Todos os jogos eram às 3, 6 ou 9 da manhã – e nós não perdemos nenhum minuto de nenhum deles.

As eliminatórias tinham sido muito difíceis, afinal só garantimos o passaporte para a copa na última rodada. O trabalho do Felipão era muito questionado e na minha casa todo mundo sabia que, se não fosse com ele, não seria com ninguém. Lembro que o Casseta e Planeta fazia o papel de pé-no-chão, imitando o Felipão e seu gauchês alertando a seleção sobre a qualidade de TODOS os outros times. E eles tinham razão, eu acredito até hoje que Copa do Mundo não tem time ruim. Passamos com sufoco pela Turquia no primeiro jogo e o Galvão dizia “esse time vai incomodar”. Depois de virar um jogo difícil no segundo tempo, fomos pra batalha com a China, aquele golaço de falta do RC3 e mandamos a Costa Rica embora com mais um gol antológico. Obrigado, Edmílson!

A fantástica geração belga, como nas três copas seguintes, decepcionou: não foi páreo para a seleção brasileira e sofreu aquele clássico 2×0 “fora o baile”. Do outro lado do mata-mata, Neuville garantia o primeiro 1×0 que, nas oitavas, eliminou o Paraguai. Nas quartas, foi a vez da Inglaterra. Sobre esse jogo, nem preciso dizer mais nada.

Do outro lado, Ballack fazia o gol único que despachava os Estados Unidos para casa. Chegou a semifinal e a esperada oportunidade de vingança da Turquia. Nesse jogo, tivemos que contar com Rivaldo e aquele gol cagado, de bico, sofrido do Ronaldo. Estávamos na final e jogaríamos, na sequência, contra a Alemanha, que novamente graças a Ballack, derrotou a Coreia do Sul por 1×0. Sobre isso duas coisas: a Coreia foi BEM ajudada na Copa do Mundo e, principalmente, vocês lembram o medo que nos rondava em relação à Alemanha? tínhamos quatro taças e a Alemanha, três. Se perdêssemos a final, teríamos o mesmo número de títulos e a próxima Copa seria na… Alemanha! Então conquistar a Ásia tinha, como compromisso, manter a supremacia das taças no armário. O futebol da Alemanha era pragmático, eficiente e com uma parede de gelo sob as traves. Tudo isso se agigantava conforme o dia 30 de junho chegava. Que dia seria, minha gente!

@marcelohomrich

Que dia, minha gente! Todas as noites mal dormidas culminaram naquele dia. A camiseta sem lavar (pra não dar azar), os terços, as mandingas. Tudo se resumia àquele momento. No dia 30, deu pra ter uma noite de sono melhor, com mais tempo, mas nervosa também.

Lembro que fui ver na casa de um amigo a partida. Fardado, fui com meus pais para o que seria o (nosso) palco daquele espetáculo. Era um tempo de confiança humilde, de fé e de uma convicção temerosa. Acho que sabíamos da grandeza do que viria.


Felipão me inspirava uma confiança do tamanho do bigode dele e do Murtosa juntos! Aquele time, como conjunto, me inspirava confiança. Mas Oliver Kahn estava do outro lado, frio e intransponível como outras paredes de origem germânica (too soon?).

O jogo começou e o Brasil parou, sentou e se inclinou para frente. Tem gente que acredita que se o mundo todo pular ao mesmo tempo, mudamos o eixo da terra. Acho que nesse dia, há 15 anos, o Brasil ficou um pouco mais silencioso, o ar parou.

Mas acontece que nos tínhamos um Cascão menos sujo e com mais bola no pé. Ronaldo, o Fenômeno, jogando o fino da bola. Um dos maiores do mundo, da história em um dia abençoado. Abençoado com 2 gols e com colegas de time primorosos e com 200 milhões de corações brasileiros querendo o penta (como dizia a música).

Dois gols, a quinta taça e um país inteiro em estado de graça. Sinto saudades daquele tempo, daquela Copa e daquele time. Craques nunca faltaram, mas aquele espírito ficou sumido por um tempo. Talvez tenha tirado férias para comemorar. Acho que agora, com Tite, esse espírito finalmente está voltando. Confio nele, mesmo sem bigode. E acho que grandes dias estão vindo por aí! Rússia, aí vamos nós, os pentacampeões do dia 30 de junho de 2002!

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