Há alguns anos, sob orientação do Padre Luciano Massullo em nossa direção espiritual, li o livro “Padres da Igreja”, de autoria do papa Bento XVI. Uma leitura maravilhosa, que desfiou os esforços, sacrifícios e conquistas dos primeiros grandes líderes do povo de Deus.

De todas as leituras, que me apresentaram santos, beatos e bem-aventurados, destacou-se para mim a história de Tertuliano, cristão leigo de Cartago que viveu no século II. Advogado que se converteu ao cristianismo com mais ou menos 30 anos, passou a outra metade de sua vida se dedicando à teologia e ao ensinamento de seus aprendizes – criando pupilos como São Cipriano de Cartago e, maior expoente da teologia latina, Santo Agostinho de Hipona.
Achei estranho que nenhum dos títulos que referi acima se aplicava a Tertuliano, e a leitura do texto foi aumentando minha curiosidade. Afinal, como não ser considerado santo o autor mais antigo a usar o termo “Santíssima Trindade”? Tal aprofundamento nos estudos teológicos leva diversos teólogos a creditá-lo como fundador da teologia ocidental.

No fim do texto, descobri que Tertuliano, no decorrer da vida cristã , se tornou cada vez mais crítico às heresias que ele acreditava estarem tomando conta da Igreja. Por isso e por pequenas discordâncias entre outros teóricos – especialmente sobre a subordinação do Filho ao Pai na Santíssima Trindade – o estudioso, acompanhado de seus seguidores, abandonou a Igreja e aderiu ao Montanismo (seita profética que pregava o fim do mundo).
Tá, e por que todo esse texto? Quero repassar a mensagem de Bento XVI a meus contemporâneos e correligionários. Amigos, somos todos coerdeiros do céu ao mesmo tempo que agonizantes, soterrados pelo peso insuportável do pecado. Se é grande o esforço em permanecer na fé é suportar a horda de hereges e pecadores, tanto maior é a santidade daqueles que, assim sofrendo, assim resistem. E sempre, não importa o quão perfeitos sejamos e queiramos ser, dependeremos sempre da misericórdia de Deus para sermos salvos. Acho que juntos é mais fácil.

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