-Agora prestem atenção – disse a mãe – Seu pai e eu voltaremos da ópera com convidados, então, por favor, mantenham a casa arrumada.
É com este recado que começa Jumanji, a história de Peter e Judy, escrita por Chris Van Allsburg e publicada em 1981. A história tem por propósito ensinar às crianças que não façam bagunça, que não mexam em coisas estranhas e principalmente que sempre leiam as instruções. O livro também mostra que podemos viver grandes aventuras mesmo sem sair de casa.
Do mesmo autor de O Expresso Polar, o livro tem um texto fácil acompanhado de ilustrações muito bonitas. É um livro infantil, portanto feito para ser lido rapidamente (talvez antes de dormir) em que os pais podem ler uma página e os filhos acompanham tudo no desenho da página ao lado. Pelo menos na edição que eu comprei é assim. Comprei uma edição muito bonita da (falecida) Cosac Naify, editora famosa por seus projetos gráficos.

O livro acompanha duas crianças que ficam sozinhas em casa e resolvem jogar um jogo de tabuleiro que encontram na rua: Jumanji – Uma Aventura na Selva. Elas acabam descobrindo que tudo que acontece no tabuleiro passa a acontecer na vida real, sejam macacos na cozinha, leões no quarto, serpentes na lareira e até mesmo um vulcão na casa. Além de tudo isso, o jogo tem que ir até o fim e Peter e Judy não podem parar de jogar – e o mais importante: precisam deixar a casa arrumada antes dos pais chegarem.
-“Leão ataca, volte duas casas” – leu Judy.
A história é muito mais simples do que o filme de 1995 com Robin Williams. O personagem de Robin Williams e todo o seu arco nem existem an história original. Se fosse, o filme seria muito mais sem graça, com certeza. Lembro que Jumanji, o filme, chamava muito a atenção na locadora de filmes da minha rua, pois a sua capa era diferenciada, ela era naquele “3D” em que a imagem muda dependendo do ângulo em que se olha para ela. Um efeito estranho que eu não gosto muito, mas que realmente se destaca.

Aqui quero tirar um momento para lembrar disso, da locadora de filmes. Que época! Era mais difícil assistir um filme? Sim, era. Mas agora não temos mais esse momento especial de ir até um local, olhar pelas prateleiras as opções de filmes, perguntar para o pessoal do balcão se um filme era bom ou pedir uma sugestão, talvez interagir com outras pessoas, possivelmente vizinhos de bairro. Havia a excitação da chegada de filmes novos, da espera dos sucessos que sumiam das prateleiras rapidamente e a importância de jamais esquecer de rebobinar as fitas depois de assistir os filmes.
Voltando. Achei a fita de Jumanji tal qual Judy e Peter acham o jogo, não no meio do mato, mas escondido nas prateleiras e levei para casa. Naquele tempo, havia até mesmo uma aura de “medo” em relação àquele filme. A capa misteriosa, a jornada de perigos enfrentados pelos protagonistas. Para o mini Marcelo, foi um desafio e uma vitória assistir este filme. Hoje li o livro com um tanto de nostalgia e saudade.

Não nego, o livro estava na minha prateleira há um tempo, relegado frente a tantas outras leituras que iam surgindo. Resolvi tirar um tempo para ler ele pois vi o trailer do novo filme Jumanji: Welcome to the Jungle, que vai sair no final deste ano – sim, vivemos na era dos remakes. Spoiler: não estou colocando fé no filme.
O filme traz Dwayne “The Rock” Johnson, possivelmente o ator de ação mais popular de hoje em dia, Kevin Hart, o comediante mais popular da atualidade (nos EUA, pelo menos) e um dos meus favoritos, como os dois principais, além de Jack Black e Karen Gillan (a Nebula de Guardiões da Galáxia, mas com cabelo). Acredito que a base para o filme se popularizar vai ser os atores escolhidos e o personagem principal de todo o blockbuster atual: os efeitos visuais.

Neste novo filme, segundo o IMDb, não teremos Judy, nem Peter na história (o que tínhamos no original de 1995) e Alan Parrish, personagem de Robin Williams, está na sinopse mas não no elenco do filme, logo pode ser apenas um fan service no meio do longa. Além disso, o jogo de tabuleiro é repaginado para um video game antigo, não sei se para ter mais apelo com a criançada de hoje ou como uma forma de querer estar atualizado. Pessoalmente, não gostei da decisão.
Os personagens que entram no mundo do video game Jumanji são também um novo Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985) mas com quatro integrantes e sem o estilo tradicional dos anos 80 e a mão de John Hughes. Acho que podemos esperar um filme muito bonito, mas sem uma magia mais real, como o Jumanji original. Este não irá assustar ninguém e provavelmente não irá despertar grandes sensações. Espero estar errado e espero que as crianças de hoje um dia lembrem desse filme com um carinho igual ao que tenho pelo de 1995.

Deixe um comentário