Se tem uma semana que deixou a gente com vontade de despressurizar, foi essa. Está certo, todo dia sempre tem uma coisinha ou outra que a gente quer falar, um fato (ou fake news) para comentar, mas essa semana foi fogo. A gente se pergunta: “para onde estamos indo?” Nem sei se queremos saber a resposta. Só sei que precisamos dar aquela despressurizada.
@octavioff
Essa foi uma semana tensa, não nego. Eu que gosto muito de política então, fiquei FURIOSO. Não ideologicamente, já entendi há algum tempo que ninguém se responsabiliza por levar adiante a minha opinião sobre o que é melhor ou não pro país, o que é certo ou errado e segundo qual código moral.

Me incomoda muito, mas muito, toda essa especulação sobre a aceitação do impeachment do Temer. Não me entenda mal: sei que nenhum brasileiro votou nele pra presidente em 2014 – e quem votou na chapa certamente nunca o teve em boa conta – mas eu tenho a sensação muito forte de que os deputados decidiram dar esse “cagaço” no Temer logo agora que o Brasil já esqueceu.

Eu lembro do dia 17 de Maio, quando todo mundo ficou sabendo do escândalo delatado por Joesley Batista, que gravou Temer e Aécio. À época, o congresso que ajudou a derrubar Dilma em favor de Temer se fechou em torno do presidente, com a desculpa de que “as instituições precisam continuar funcionando”. Tudo foi posto em banho-maria e agora, que meio Brasil já se esqueceu ou se acostumou com um criminoso pego com a boca na botija presidindo uma república, o congresso embeiçou.

Agora, o congresso congratula o presidente (aquele, que foi reeleito de maneira adversa ao rito previsto em estatuto – ou ilegal) da câmara Rodrigo Maia pela condução da casa e o próprio partido do Temer ensaia um “golpe no golpe”. O Temer, por sua vez, disse que, se cair, derruba Maia e Eunício junto. Enquanto isso, tem o Lula condenado pelo Moro a quase 10 anos de prisão e um abraço pra quem achou que ia ter piada óbvia sobre o assunto.
Tudo isso me faz pensar que os deputados, aqueles que realmente mandam no Brasil, viram a manifestação do povo que, em uníssono, pede a saída do presidente, e pensaram:
O povo tem razão, Temer deve cair. Só não podemos deixar que caia agora, pois o povo não pode sentir o poder que tem.
Semana atribulada, não é? E eu pensando que o dia 12 seria marcado pelo dia do engenheiro florestal ou pelo 113º aniversário do falecido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, a.k.a. Pablo Neruda. Mas não. Lula condenado a 9 anos de cadeia pelo juiz Sergio Moro. Agora, tal qual o cidadão médio que não se priva de comentar notícias políticas, mesmo que não vá ler as 200 e tantas páginas da condenação, vou usar Pablo Neruda para comentar a situação política do Brasil, mesmo nunca tendo lido nada que ele escreveu. Comecemos.

A verdade é que não há verdade.
Sim. A discussão política que se vê por aqui é baseada em sentimentos e convicções e, em alguns poucos casos, em fatos. Não é à toa que a palavra do ano é a pós-verdade. A realidade é muito chata para nossos desejos hiperbólicos, então deixemos de acreditar nas coisas, pois realmente, não há verdade.
A poesia tem comunicação secreta com o sofrimento do homem.
“Alô, Poesia? Sim, aqui é o povo brasileiro. Pois então, menina, tá ruim a coisa por aqui, mas pelo menos a gente mantém esse papo, né. Liguei só pra ver como tu estava. Beijo grande, te cuida.”

Sofre mais aquele que espera sempre do que aquele que nunca esperou ninguém?
Boa pergunta. Em que categoria a gente se encontra? Eu não sei vocês, mas eu já não espero mais nada de ninguém. No fim também acho que não é uma questão de discutir quem sofre mais, mas atender às necessidades dessas pessoas. Acho que a nossa energia tem que ir pra resolver os problemas que vemos na nossa frente e não para ficar brigando mais.
(Esse é o tipo de coisa que a gente escreve sabendo que vai ser mal interpretado. Eu li esse parágrafo e já teria uma resposta na ponta da língua se fosse outra pessoa que tivesse escrito… mas como eu sei o que quis dizer, vou manter. Não concordou, por favor, vem conversar comigo. Vamos resolver isso juntos e se ouvir um pouco mais. Me diz tua opinião também, quero te ouvir.)
Para terminar essa pequena despressurizada, fica então uma frase de esperança:
Podes cortar todas as flores mas não podes impedir a Primavera de aparecer.
Semana que vem, tem mais, vem despressurizar!
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