O Grêmio Tinha Razão

Hoje, depois de algumas semanas com o blog, quis escrever sobre o nosso futebol gaúcho. Isso é divertido porque todas as vezes em que me propus a escrever para ser lido, foi sempre de modo imparcial, e agora vou deixar a paixão me cegar um pouco. De qualquer modo, é sempre bom voltar à paixão nacional.

 

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Eu vivo MESMO um trauma com a Série B

O primeiro rebaixamento do Grêmio à segunda divisão nacional foi em 1991. O time fez 12 pontos em 19 jogos e ficou em penúltimo. Dizem os blogs e versões digitais de jornais da época que, alguns dias antes do início do Campeonato Brasileiro de 1992, o regulamento foi alterado pela CBF: diferentemente do ano anterior, em que dois clubes ascendiam de divisão ao passo de dois descensos, não haveria rebaixamento na Série A e os doze primeiros colocados seriam alçados à série A. Se alguém puder apresentar documento que diga algo diferente, gostaria de entender mais.

2017-07-17
Engraçado pensar no Bragantino como vice-campeão, né?

Do Brasileirão de 2004 eu me lembro, já tinha meus 13 anos e estava na sétima série. O Grêmio já estava matematicamente rebaixado ao final da penúltima rodada e caiu como o lanterna da competição. Desse ano, se seguiu a justificação do Grêmio na série B de 2005.

 

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Mais um ano difícil…
Em 2005, o Grêmio se reconstruiu e, depois de alguns percalços, chegou ao jogo decisivo contra o Náutico – a Batalha dos Aflitos – que decidiria quem subiria para a série A em 2006. O tricolor venceu aos 283427362 minutos com um gol do Anderson e voltou heroicamente para a elite.

Por que todo esse texto? O efeito desse publicação precisava desse argumento. Durante toda a minha adolescência e vida adulta desde 26 de novembro de 2005, achei a exaltação da Batalha dos Aflitos um apequenamento do Grêmio ou, como chamamos aqui no sul, um “acadelamento”.

Como um clube campeão do mundo, com ídolos históricos e berço daquele que mais me encantou com seu futebol (R10), poderia fazer um espetáculo do retorno a uma competição que jamais deveria ter saído? Como romantizar uma trajetória que era, por si só, uma humilhação? Como coroar uma temporada que deveria ser imediatamente esquecida?

 

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A verdade é que… Eu estava errado.

 

Agora, 12 anos depois, cá estou eu, colorado, vendo meu time decepcionar na série B. Eu que passei anos e anos acreditando que o rebaixamento nunca viria, sinto ele todos os dias. Eu que adoro futebol desde quando posso lembrar, me vi genuinamente constrangido de não aceitar algum convite para assistir o Inter. Dá vergonha dizer que o plano é ver o Inter perder pro Criciúma em casa – ou pro CRB fora.

Agora, 12 anos depois, eu entendo. A série B requer uma prova de amor. Lembro em 2005 que meus colegas gremistas eram reticentes quanto a futebol, mas sabia que nenhum deles mudaria de time. Eu não entendia por que não, porque o Inter nunca tinha me cobrado esse amor. Hoje, ele cobra. Amanhã, eu estarei no estádio pra mais um sofrimento. No fim desse ano, quero comemorar o acesso e, se for na mesma intensidade do sentimento que tivemos até agora, não quero nunca mais esquecer esse ano. O Grêmio tinha razão em se orgulhar de sua história.

 

 

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