Hoje, depois de algumas semanas com o blog, quis escrever sobre o nosso futebol gaúcho. Isso é divertido porque todas as vezes em que me propus a escrever para ser lido, foi sempre de modo imparcial, e agora vou deixar a paixão me cegar um pouco. De qualquer modo, é sempre bom voltar à paixão nacional.

O primeiro rebaixamento do Grêmio à segunda divisão nacional foi em 1991. O time fez 12 pontos em 19 jogos e ficou em penúltimo. Dizem os blogs e versões digitais de jornais da época que, alguns dias antes do início do Campeonato Brasileiro de 1992, o regulamento foi alterado pela CBF: diferentemente do ano anterior, em que dois clubes ascendiam de divisão ao passo de dois descensos, não haveria rebaixamento na Série A e os doze primeiros colocados seriam alçados à série A. Se alguém puder apresentar documento que diga algo diferente, gostaria de entender mais.

Do Brasileirão de 2004 eu me lembro, já tinha meus 13 anos e estava na sétima série. O Grêmio já estava matematicamente rebaixado ao final da penúltima rodada e caiu como o lanterna da competição. Desse ano, se seguiu a justificação do Grêmio na série B de 2005.

Por que todo esse texto? O efeito desse publicação precisava desse argumento. Durante toda a minha adolescência e vida adulta desde 26 de novembro de 2005, achei a exaltação da Batalha dos Aflitos um apequenamento do Grêmio ou, como chamamos aqui no sul, um “acadelamento”.
Como um clube campeão do mundo, com ídolos históricos e berço daquele que mais me encantou com seu futebol (R10), poderia fazer um espetáculo do retorno a uma competição que jamais deveria ter saído? Como romantizar uma trajetória que era, por si só, uma humilhação? Como coroar uma temporada que deveria ser imediatamente esquecida?

Agora, 12 anos depois, cá estou eu, colorado, vendo meu time decepcionar na série B. Eu que passei anos e anos acreditando que o rebaixamento nunca viria, sinto ele todos os dias. Eu que adoro futebol desde quando posso lembrar, me vi genuinamente constrangido de não aceitar algum convite para assistir o Inter. Dá vergonha dizer que o plano é ver o Inter perder pro Criciúma em casa – ou pro CRB fora.
Agora, 12 anos depois, eu entendo. A série B requer uma prova de amor. Lembro em 2005 que meus colegas gremistas eram reticentes quanto a futebol, mas sabia que nenhum deles mudaria de time. Eu não entendia por que não, porque o Inter nunca tinha me cobrado esse amor. Hoje, ele cobra. Amanhã, eu estarei no estádio pra mais um sofrimento. No fim desse ano, quero comemorar o acesso e, se for na mesma intensidade do sentimento que tivemos até agora, não quero nunca mais esquecer esse ano. O Grêmio tinha razão em se orgulhar de sua história.
