Dunkirk ou Dunquerque?

Dunquerque é uma cidade litorânea francesa que foi palco de uma grande vitória durante a Segunda Guerra Mundial: A Operação Dínamo. Por mais que Winston Churchill tenha apontado que evacuações não vencem guerras, com “o milagre de Dunquerque”, centenas de milhares de soldados aliados foram resgatados. Isso seria um spoiler? Talvez. Mas como estamos falando de história e de fatos que ocorreram há 77 anos atrás, talvez não devesse ser um grande problema. Mais um spoiler: os aliados venceram a Guerra.

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Imagem de Dunquerque durante a Segunda Guerra Mundial.

Isso é um pouco sobre Dunquerque. Agora, Dunkirk (felizmente sem um subtítulo como “A Batalha” ou “A Esperança nos Mares”), também é um filme lançado recentemente, dirigido por Christopher Nolan. Antes de qualquer coisa, o filme é lindo. Assista em IMAX, pois é como ele foi filmado e como Nolan quer que a gente assista. A fotografia é de Hoyte van Hoytema que, além de ter um nome muito legal, foi quem fez a fotografia de Interestelar, Her e do último James Bond, Spectre.

O filme se destaca, além da beleza das imagens, pelo som. A trilha é Hans Zimmer, que é um monstro sagrado das composições para o cinema. A música que acompanha o filme é um dos principais componentes para nos deixar na ponta da cadeira o filme todo. Em alguns momentos, tentei prestar atenção na trilha e reparei no uso de cordas muito agudas e de um som que eu saí do cinema acreditando ser o de um cronômetro como alguns dos principais recursos para criar essa tensão no público. Achei esse aspecto excelente.

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A luta pela sobrevivência é um dos temas do filme.

A música, no entanto, é apenas um dos pontos na história. O desespero pela sobrevivência que o roteiro nos apresenta também é muito bem representado e nos coloca em uma posição de nos imaginarmos naquela situação, tentando de todas as maneiras fugir de uma morte tida como inevitável na mão dos nazistas. Tommy, o personagem de Fionn Whitehead, e todos os outros que vão aparecendo e, de certa forma, se juntando a ele, fazem o possível para escapar da praia francesa antes de um ataque iminente.

Primeiramente, achei que o filme tratava da esperança, mas talvez seja exatamente o contrário. Talvez seja uma história sobre a falta de esperança e sobre um instinto animal de sobrevivência. O filme apresenta alguns personagens, em meio ao desastre generalizado, que são altruístas ou que possuem um senso de dever (e talvez de camaradagem) pois é uma história sendo contada e isso é importante para a audiência, para que tenhamos certa recompensa. Os aviadores e os civis nos barcos de passeio fazem esse papel e nos emocionam com suas atitudes. Os barcos nos entregam a cena mais emocionante do filme e torcemos muito para o personagem de Tom Hardy, que tem um papel que não exige muito dele, mas acho que ele entrega uma boa atuação no filme.

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Aproximadamente 300.000 soldados foram evacuados de Dunquerque em 1940.

O filme, além disso tudo, tem dois pontos que me chamaram a atenção: a estrutura e o final. Ele não me parece seguir uma estrutura clara de três atos, mas sim um ato contínuo de medo, desesperança e luta pela sobrevivência. Em Dunkirk, vemos pessoas fazendo de tudo para se salvarem o tempo todo, o que me pareceu diferente de um roteiro tradicional, mas aproximado do que a Guerra deve ter sido. Quanto ao final, acho que foi um dos problemas do filme. Me pareceu sofrer daquela síndrome de Peter Jackson, que não sabe como acabar de contar a história, com mais de uma cena que poderia ter acabado o filme. Não acho que estragou o resultado final, que eu gostei muito, mas achei que isso chamou a atenção, como disse antes.

Dunkirk está com 8,5 no iMDB, 8.7 no Rotten Tomatoes com um índice de 93% de avaliações positivas e um impressionante 94 no Metascore. E aqui, no Despressurizando, não tenho um sistema de notas formal, mas também gostei muito do filme. O diretor e sua equipe toda fizeram um excelente trabalho. Além de uma boa história, vale ser assistido pelo conhecimento histórico. Outra forma de se informar sobre o assunto é assistir ao Nerdologia que fala sobre o que aconteceu nesta batalha.

Assistam e me contem o que acharam! Feito? Sexta feira nos falamos de novo e quarta feira que vem tem mais um texto meu. Não se esqueçam de visitar na segunda também para o texto do Octavio.

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