Resenha: O Fantasma – Jo Nesbø

Já faz alguns anos que eu decidi abraçar minha alma leitora. Aqueles que acompanharam o blog nas últimas semanas puderam perceber, em função do post Goethe Fechada – Prefácio, que venho tentando traduzir algumas leituras, misturadas com ideias e situações, em textos originais. Hoje venho falar sobre um autor que muito me inspira – e quero um dia falar de todos – a escrever ficção e a buscar o meu próprio estilo: Jo Nesbø.

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Escritor e músico, vocalista da clássica banda Di Derre

Esse escritor norueguês de 57 anos assina algumas das mais envolventes obras literárias que já tive o prazer de ler. Dele eu tiro a minha ideia de situar minhas histórias em Porto Alegre, maior e melhor cidade do mundo – ainda segundo o Instituto DaTavinho. Vejo em suas composições de personagens o limite perfeito entre descrições vagas e composições irreais. Posto tudo isso à parte, hoje vou falar sobre um livro, em especial, que terminei de ler há pouco: O Fantasma (Gjenferd, no original) de 2011. Vamos lá!

  • Livros anteriores:

Well, fica até feio começar por um problema sério, mas vai ter que ser. O livro é parte da saga de Harry Hole, policial norueguês de personalidade e alma incomparáveis. O problema está em qual parte da saga. “O Fantasma” é o terceiro livro que leio dessa linha focada no homem da lei – já tenho na minha estante o “Boneco de Neve” e “O Leopardo”. Acontece que “Boneco de Neve” é o SÉTIMO livro dessa saga e o primeiro do autor a ser amplamente divulgado no Brasil! Ao construir minha visão sobre todo o universo criado por Nesbø, vejo agora que muitas referências poderiam ter sido conectadas, essas deixando de acontecer porque estou lendo como terceiro aquele que é na verdade o nono livro.

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O melhor primeiro/sétimo livro que eu li

Por outro lado o benefício de já conhecer a maioria dos personagens é inegável. Conseguir estabelecer uma linha do tempo das relações torna a continuidade da saga bastante crível. Por esse conforto de reencontrar personagens envelhecidos, em novos cargos ou com novos amores, meio que compensa o baque que sofri no parágrafo anterior.

  • Ambiente

Assim como escrevi sobre a Hell’s Kitchen da série do Demolidor, a cidade de Oslo é um personagem ativo do livro. Confesso que gosto muito quando isso acontece, pois as próprias ruas da cidade contam as histórias ao mesmo tempo que conferem credibilidade aos personagens. Muito bom. Só pesa um pouco contra, na minha opinião, como a cidade parece variar de tamanho conforme o livro passa. Certa casa é num local ermo a ponto de não ser possível lembrar o caminho de volta, mas a saída do país, por outro lado, é adjacente.

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Dá uma vontadinha de aparecer lá qualquer dia, né?
  • Protagonista

Harry Hole é um showman. Esquisito, muito alto, não-ortodoxo e, fugindo do perfil Jamesbondiano desse tipo de herói, eternamente apaixonado pela mesma mulher. A figura de Rakel na vida de Hole só foi substituída pelo vício em álcool. Uma experiência pouco interessante trouxe um novo adereço à presença física do policial: uma falange de metal, no dedo indicador. Vale muito a pena ler os livros anteriores que mencionei, pois todos eles contribuem para os desdobramentos postos em “O Fantasma”.

  • Enredo

Eu gosto muito da forma como a história se desenrola, com duas linhas de tempo intercaladas. A primeira linha do tempo mostra os últimos pensamentos agonizantes de Gusto Hansen entre receber o tiro que causou sua morte e o fato consumado, enquanto a outra se passa após o assassinato. Ambas as histórias se explicam e se entrelaçam, e isso funciona muito bem.

Outro ponto alto do enredo se relaciona com o que mencionei acima: é bem interessante ver o desenrolar da vida de personagens que apareceram em livros anteriores. Desde Truls Bernster e Mikael Bellman até os poucos amigos de Harry, é interessante ver que a vida traz mudanças para todos. Falando nisso, vem nesse bojo também minha única ressalva: em todos os livros que eu li, surge um novo departamento de polícia, antes era a Kripos, agora é o CrimOrg, será que no próximo livro vai ter outro?

  • Opinião geral sobre o livro

É mais um bom livro de um bom autor que eu fico feliz em ter lido. Algumas reviravoltas e habilidades de Hole ultrapassam meu limite de suspensão da descrença, mas foram só dois momentos. Ainda recomendo muito, mesmo que eu entenda que comecei com o melhor dos livros, o “Boneco de Neve”. Fica como mensagem final que é um livro empolgante e que prende o leitor, e eu confesso que fiquei muito interessado no padre católico Cato, justamente por ser tão diferente de todos os padres com os quais convivo.

  • SPOILER ALERT

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Por fim, acho que o livro acaba mal, pois Oleg atira em Harry para manter sua drogadição e o livro subentende que é o final do detetive. Como dois livros da mesma saga já estão lançados e há previsão para mais um esse ano, já sei que o próximo começará com uma história mirabolante e conveniente para explicar como pode ele não ter morrido.

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