Charlottesville e o que me fez questionar o ano em que vivemos.

Sim, estamos em agosto de 2017. Eu verifiquei. Foi difícil acreditar, mas parece que não é fake news ou um “fato alternativo”, como colocaria talvez um dos homens mais poderosos do mundo, Donald J. Trump.

No final da semana passada, homens e mulheres da cidade de Charlottesville, no estado americano de Virgínia, marcharam pela cidade entoando cânticos, fazendo saudações e gritando seu ódio contra negros, judeus, imigrantes e homossexuais. Grupos neonazistas, supremacistas e simpatizantes destes grupos, além de representantes da chamada “direita alternativa”, se reuniram até mesmo com tochas (referência ao grupo Ku Klux Klan) no seu protesto pela “retomada” do país, que teve como uma das motivações iniciais a crítica à retirada de uma estátua de um general confederado (Robert E. Lee, general que lutou pelo sul escravagista durante a Guerra Civil Americana). Se eles acham que a América precisa ser devolvida aos seus “donos”, bom, que saiam de volta para a Europa e deixem o país para os índios.

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Até mesmo a empresa das tochas se manifestou contra o ato de Charlottesville

Podemos dar o nome que quisermos para esses grupos, mas acho importante não esquecermos que são basicamente racistas, intolerantes, fanáticos e idiotas. Pessoas como essas são um atraso para a sociedade, mostram que nem todos aprendem com os erros do passado e nos fazem questionar o mundo em que vivemos. É difícil compreender o que leva uma pessoa a pensar e agir assim. Empatia é impossível nesse caso. Tanto é que um grupo de oposição a essas ideias confrontou diretamente os manifestantes, o que resultou em diversos atos de violência.

Pessoalmente, eu condeno a violência em qualquer situação, mas compreendo a multidão que se posicionou contra a manifestação. Eu acho que os manifestantes neonazistas e supremacistas devem ser condenados criminalmente. O Estado tem que se posicionar e tomar certas medidas para que esse tipo de ato não ocorra e deve educar as pessoas para que elas percebam o quão inaceitável é esse comportamento. Ao não se posicionar fortemente contra isso, o governo força a mão dos opositores a fazerem o que fizeram, a buscar uma certa “justiça” ao condenar a manifestação através da violência.

O presidente Trump (dói escrever isso), na verdade, não surpreendeu ao relativizar a posição dos manifestantes e tentar colocar um pouco de culpa no outro lado. Infelizmente. Inicialmente, ele tentou defender que todos tinham culpa e que haviam pessoas boas e ruins nos dois lados. Não, presidente. Quando um lado defende ideais de supremacia branca e nazismo, um lado claramente tem culpa. Ele deveria ter condenado isso de cara. Com a repercussão ruim do seu posicionamento, tentou remendar. Dois dias depois. DOIS DIAS DEPOIS. E em um terceiro posicionamento, voltou atrás e subiu novamente para cima do muro. É absolutamente perturbador que o presidente dos Estados Unidos da América, EM DOIS MIL E DEZESSETE, se posicione assim. Mas, novamente, não surpreende. É o que eu esperava dele e acredito que também é o que esses racistas intolerantes esperam do seu presidente, que eles muito provavelmente ajudaram a eleger.

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Houveram conflitos entre partes na manifestação

Há uma luz no fim do túnel, eu acredito. Espero que esse momento infeliz traga um debate que eduque as pessoas para que compreendam como isso tudo é inaceitável. Talvez por vivermos em bolhas, eu só tenha visto pessoas condenando a manifestação, tanto nos EUA, quanto no Brasil. Acompanho diversos talk shows americanos, como os dos apresentadores Jimmy Fallon, Jimmy Kimmel, Stephen Colbert, Seth Mayers e James Corden e todos eles se posicionaram fortemente contra as passeatas naonazistas e supremacistas e também contra o presidente e o seu discurso. No Brasil, vi vários formadores de opinião comentando também, como os YouTubers Rafinha Bastos, Felipe Castanhari e Cauê Moura, para citar alguns.

É importante que nos informemos sobre o assuntos, com diversos pontos de vista. Todos esses famosos que citei comentaram o assunto e se posicionaram. Obviamente, não concordam em tudo, mas concordam que a motivação inicial do problema é absurda e incabível em 2017. É importante ver várias informações e opiniões para formarmos a nossa com base em mais fatos, mais interpretações dos fatos e para que a discussão evolua. Se informe, compartilhe sua opinião e, mais importante do que tudo, não seja um idiota racista intolerante.

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