Sexta feira, dia de alegria, dia de ver o mesmo vídeo da menina cantando “sextou” ou ouvir Friday da Rebecca Black e, principalmente, dia de Despressurizada aqui no blog. Hoje falamos um pouco sobre amizades e sobre as dificuldades de escolher o próximo livro ou a próxima série. Vem despressurizar a semana com a gente.
@octavioff
Então, nessa semana eu preciso falar de amizade. Tô há tempos pra fazer isso. Amizade é meio que um ponto fundamental pra tudo o que eu faço. Eu, que tenho um carinho muito especial por ficar sozinho, aceito fazer as mais variadas indiadas pra estar na companhia das pessoas que eu gosto.
Mas disso decorre uma grande confissão: eu sou bem egoísta em relação às minhas amizades. Não, não: não é o caso de eu me aproveitar daqueles que são meus amigos ou confiam em mim. A verdade é que todos os meus amigos são algo que eu quero ser, em algum aspecto, sob algum referencial.

Olha, até poderia ser inveja, mas consigo desviar dessa condenação por pouco, afinal a inveja pressupõe que o outro perca aquilo que desejo. Nada a ver. A verdade é que, quanto mais eu quero conviver com algum amigo, mais claro fica o quanto eu o admiro e, eventualmente, em quantos e quais pontos gosto mais dele do que de mim.
Também não tem relação nenhuma com autodepreciação, depressão, infelicidade ou coisa que o valha! É que simplesmente as pessoas me cativam tanto que eu espelho nessas pessoas uma projeção de mim que é melhor do que quem eu sou hoje.

Ao invés de me refestelar no “eu nasci assim e vou ser sempre assim”, me sinto em constante mudança, partindo da compreensão de que há, sim, características minhas que eu amo e tenho muito apego. Quanto melhor eu posso ser como pessoa com o exemplo das pessoas maravilhosas ao meu redor?
Bom, primeira coisa: valeu, Octavio! Como amigo, me incluí nessa e fico feliz que penses assim. Te admiro muito também. Seda devidamente rasgada, vamos à Despressurizada da semana.
Vou confessar uma dificuldade que eu tenho: dar o primeiro passo. O primeiro passo em qualquer “caminhada” é sempre o mais difícil, é impressionante. Vale ressaltar que o difícil aqui é uma forma de falar pois nada do que eu vou dizer é realmente difícil se a gente comparar com passar fome ou trabalhar numa fábrica de carvão há uns 200 anos atrás. Assim que guardarmos a carta do white people problems e do classe média sofre, podemos continuar. Feito? Feito!
Eu não sei se todo mundo tem esse tipo de problema, mas espero que eu não seja o único a ter ele. Toda a vez que eu termino um livro, série, quadrinho ou algo do tipo eu me deparo com uma decisão que, na minha cabeça, é sempre uma decisão de vida ou morte: e agora, o que consumir? Eu tenho mil livros na estante por ler, mil quadrinhos e Netflix, que é como ter milhares de séries e filmes em uma estante digital. A vida é muito curta para nós lermos e assistirmos tudo que queremos.
Devo ser aquele tipo de pessoa “maximizadora”, que quer sempre tomar a melhor decisão possível, e isso meio que me deixa paralisado. Converso comigo mesmo:
– Deus me livre escolher o livro errado para ler.
– Como se eu não pudesse não gostar de uma história.
– Mas meu tempo é precioso, não posso desperdiçar com algo que seja menos que maravilhoso.
– Ahh tá! Falou o sabichão que passa horas vendo meme na internet. E digo mais: tem como saber se é bom? Antes de ver?
– Ahn… não sei, só sei que é assim.
– Esse foi um bom livro e um bom filme. A gente precisa achar o próximo “O Auto da Compadecida”.
– Bom, aí a gente devia ter comprado outra seleção de livros.
– É mas é que esses estavam com desconto… bom, alguma coisa vai ter que servir.

E no fim, geralmente, o que eu escolho acaba servindo. Mas no tempo que essa conversa Gollum/Smeagol dura, dava para ter feito alguma coisa já. Eu fico nervoso com as escolhas. E não é só a questão de ser bom, tem todo um cálculo por trás dessa ciência da escolha. Quanto a livros, por exemplo, eu não vou pegar dois técnicos seguidos, preciso intercalar com uma ficção ou um romance. Eu busco não ler o mesmo autor na sequência de si mesmo. Gosto de variar um pouco nesse sentido. Se for muito longo, preciso de uns dois pequenos antes, para garantir que a meta do ano seja atingida. E se tem algum livro que eu quero ler, mas acho que não vai ser tão bom, preciso fazer isso logo em seguida de um que eu tenha gostado muito. Dois livros “meia boca” na sequência não dá.

A verdade é eu vivo em um estado de satisfação com os livros que compro e que leio, bem como as séries que assisto. Mas também vivo pensando que não vou ter tempo de fazer tudo que eu quero. Mas essa é a vida, né. Escolhas. Só não dá pra não fazer nada, parar de ler, por exemplo, não é uma opção. E, no fim, eu acredito que até as coisas ruins nos agregam um pouco. Só espero não me arrepender de ler livros muito grandes. Ler um livro ruim de 200 páginas nem chega a ser um problema. Agora, ler os livros do Game of Thrones, com 1000 páginas quase CADA UM, e se arrepender é que não dá. Mas ler GoT e se arrepender deve ser impossível também.
Semana que vem, tem mais, vem despressurizar!

Deixe um comentário