Resenha: Stranger Things 2

– Olá, como vai?

– Eu vou indo e você, tudo bem?

– Tudo bem eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro, e você?

– Tudo bem eu vou indo, em busca de um sono tranquilo, quem sabe?

– Quanto tempo…

– Pois é, quanto tempo…

Depois de quase um mês longe das publicações do blog, seria um pecado não citar Paulinho da Viola nesse retorno. Pois é, quanto tempo…

Sinal fechado é uma música de Paulinho da Viola que integra um álbum de mesmo nome de Chico Buarque, lançado em 1974. 10 anos depois de Paulinho escrever “tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas”, os eventos sobrenaturais de Hawkins, Indiana se iniciam.

A segunda temporada de Stranger Things se passa, então, no ano de 1984 – ano que dá titulo ao icônico livro de George Orwell (que tenho certeza que será comentado pelo @marcelohomrich aqui algum dia) – e ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos. Naquele ano, Reagan ganhou a reeleição na América com direito a 525 delegados em 49 dos 50 estados, frente a uma honorável vitória de seu oponente, Walter Mondale, em seu estado natal, Minnesota (e no distrito de Columbia). Em função da recente reeleição, será possível ver durante a temporada praticamente todos os jardins com placas que diziam “Reagan/Bush ’84” ou “Mondale/Ferrero ’84”.

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Esse já é o primeiro ponto nota 10 da série: referências. Tendo nascido há 10 dias do final dos anos 80 (afirmação controversa), certamente não vivi o ambiente dessa época. Mas até a mim chegam referências claríssimas de como era o tempo em que viviam: Farrah Fawcett, Shirley Temple, os candidatos à presidência, os cabelos, as roupas, as fantasias de Ghostbusters e, de verdade, muito mais.

Chegando muito perto de outra nota 10, a introdução de novos personagens e suas relações com o enredo se deu muito bem. O núcleo de Max e sua família de mudança da Califórnia, o aparecimento de Bob, do Radio Shack e a óbvia referência ao Dr. Enéas Carneiro (ironic) como teórico da conspiração foram, em geral, boas adições à série. A mácula da categoria foi o desenvolvimento da presença do Bob na série, que pareceu apenas um tampão de outro romance. Mas Billy e sua relação com seus pais ainda podem se desenvolver, assim como o triângulo Steve-Nancy-Jonathan.

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Falando sobre enredo, a história das notas já fica mais complicada. Em relação à primeira temporada, houve alguns avanços e uns retrocessos, na minha opinião. Vamos primeiro aos avanços.

  • Uma verdade ignorada durante a primeira temporada foi revelada: Lucas Sinclair e sua família são negros. Eu sei que isso é lógico, mas o racismo nos anos 80 nos Estados Unidos era muito presente. Billy é a cara do racismo que a família Sinclair não viveu em 1983, e a reação das pessoas sensatas (Max) aparece na mesma medida.
  • Mike apaixonado e o clima de amor pré-adolescente: Eleven e Mike como casal ganharam companhia na sua faixa etária, na faixa imediatamente acima com o triângulo que mencionei antes e também na faixa adulta – como merecem, claro.

Mas não foram só flores, nem acho que seria possível. Stranger Things piorou algumas temáticas e alguns desenvolvimentos.

  • Gun control: pra que servem as armas na segunda temporada? Em quase todos os momentos de tensão, ficou claríssimo que as armas distribuídas sem preocupação (efeito dos anos 1980?) seriam, a priori, ineficazes. Logicamente isso só é um problema pois, após falhar várias vezes, de repente o poder de fogo causa algum efeito.
  • O enredo da Eleven durante 80% da temporada é, pra mim, absolutamente irrelevante. Toda uma jornada que ninguém precisava saber. Na verdade, acho que o grande propósito desse núcleo é sondar o público da série sobre a possibilidade de um spin off que separa a temática dos experimentos científicos do embate com o Upside Down.

Enfim, é uma temporada emocionante, repleta de cliffhangers que dão muita vontade de assistir. O fechamento, de certa forma, permite que a série acabe onde está hoje, mas já temos informação de que a terceira temporada já está em curso. Então vamos lá, teremos mais desenvolvimento dessa série que mexe com o meu coração!

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#TeamMikeWheeler

 

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