Me fiz, Senhor, escravo da tua Cruz,
Que os seja agora um conforto,
Pois já amanhã eu estarei morto,
E meus familiares tu conduz.
Diante da suspeita derradeira,
Nenhuma criatura assevera:
Tangente à eterna primavera,
O aço da certeza é madeira.
Eu te peço: redime teu cativo,
Salvação que desejo e não mereço,
Tu que és o mais puro relativo.
Para que este fim seja começo,
Concede-me, Senhor, o lenitivo,
Que pague de minh’alma o seu preço.
Soneto I – Redenção.

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