E essas eleições, hein?

Aproveitando a publicação anterior, do Marcelo, sobre O Destino de uma Nação, venho aqui manter o assunto “política”, mas trazendo um olhar mais contemporâneo. Essa semana, aqui em Porto Alegre, aconteceu o julgamento em segunda instância do ex-presidente Lula no caso do Triplex do Guarujá. Antes, vou tentar resumir a história dos capítulos anteriores, sem a pretensão de dar opiniões – afinal a história já é confusa sem intromissões partidárias e ideológicas:

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Luiz Inácio Lula da Silva. Fonte: lula.com.br

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da república entre 2003 e 2010 e pré-candidato às eleições de outubro de 2018 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva pelo Ministério Público Federal em 2017. Ao recorrer da decisão, foi definido que o julgamento do recurso seria feito em 24 de janeiro de 2018, no TRF-4 em Porto Alegre. Aqui, a condenação foi mantida e a pena, aumentada de 9 anos e 6 meses (primeira instância) para 12 anos e 1 mês. Todos os três juízes da oitava turma concordaram com o juiz da primeira instância e, em princípio, Lula se torna inelegível através da lei da ficha limpa. Nesses dias, em assunto não-relacionado a essa acusação, um juiz federal exigiu que Lula não saísse do Brasil e entregasse seu passaporte durante o curso das investigações. Acho que passei sucintamente por tudo o que é importante.

Aqui em Porto Alegre, colorados e gremistas (torcedores) elegeram a Avenida Goethe como reduto de comemoração de seus trunfos. A torcida fecha a rua e, a exemplo de 2017, na ocasião do título da Copa Libertadores pelo Grêmio, comemora por dias a taça alcançada. Então: essa semana aconteceu o mesmo, mas com torcedores do time Anti-Lula. Bem menos gente, é verdade, mas o suficiente para a minha inspiração.

Eu acho uma bobagem sair na rua pra comemorar a condenação de uma pessoa; se sentir com dever cumprido (só por bater panela, se tanto) e congratular-se mutuamente em razão de uma decisão alheia a seus conhecimentos e que, na minha opinião, deveria ser repetida diuturnamente. Nesse ponto, me permito discordar do eminente Dr. Paulsen: ainda tem muita gente acima da lei – e mais gente ainda que verá no pleito de outubro a oportunidade para considerar-se acima dela também. A condenação de Lula pode, sim, ser interpretada como um passo da mesma caminhada que levou Cunha, Cabral, Geddel e outros para trás das grades. Mas não é o primeiro passo e essa comemoração me traz o medo de que, talvez, seja o último, aí por motivações espúrias.

Vamos ao outro lado, que também não me agrada: como assim sem provas? quantos aqui leram o processo para averiguar? Eu, que só ouvi as declarações dos juízes, fiquei convencido de que as informações e evidências eram mais que suficientes. Aliás, eu acredito que, quando alguém como eu (de outra área do saber) se dá o desfrute de encher a boca para qualificar de qualquer modo um julgamento de 400 páginas feito por profissionais atuantes na área, alguma coisa está errada. É incrivelmente fácil procurar no Google “o que meu espectro político acha da situação e por quê?” e se tornar um autointitulado conhecedor do assunto e da natureza humana. Outra crítica: perseguição a Lula? Mais de 100 pessoas já foram presas (e o Lula não está nessa conta porque não está preso) graças aos avanços da Lava-Jato. Sobre a celeridade do processo, de onde eu vejo parece justíssimo: deu tempo de se escrever 400 páginas de voto e poderíamos tirar esse elefante branco da sala – inclusive para que o PT e seus aliados menores tenham tempo de organizar uma candidatura viável.

Aliás, um pequeno alô pra você que vota nulo achando que isso pode anular uma eleição: só pra lembrar que não rola. De todo modo, se o que você quer é ver um voto valer nada, temos uma oportunidade, pois, se Lula vence a eleição e, entre a vitória e a posse, se esgotam as possibilidades de recurso, são convocadas novas eleições. Mas a gente não precisa disso né? Então melhor que acelere e resolva essa pendência logo.

No fim das contas, acho que nós estamos cansados, querendo que alguém nos pegue pela mão e nos explique quem devemos amar e quem devemos odiar. Lula é inocente? O Alckmin é mais inocente que ele? E o Bolsonaro, é capaz de presidir uma república? A Marina vai fincar o pé e se tornar uma candidata coerente? E o Ciro, é o sincerão que prega ser? Manuela conseguiria governabilidade? A gente não sabe, só palpita (e pra não ficar tão em cima do muro, eu diria “não” para todas as anteriores).

Eu vou tentar, humildemente, sugerir uma postura que eu venho pondo em prática: culpa quem ocupa o púlpito. O teu colega de trabalho, teu parente, teu vizinho e a moça do caixa do supermercado (via de regra) também não estão enriquecendo ilicitamente à custa do dinheiro público. Então te junta com essa galera e, respeitando tuas convicções (eu disse tuas), escolhe alguém diferente, que não tenha o caminho do fácil no Waze nem o telefone do Cabral na discagem rápida.

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Créd. Agência Brasil / Antonio Cruz

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