Pantera Negra, o mais novo filme da Marvel, estreiou no dia 15 de fevereiro e se mostrou como um dos melhores e mais importantes filmes do estúdio. Ele bateu recordes dentro do gênero super herói, como: mais ingressos vendidos na pré venda, mais ingressos vendidos nas primeiras 24 horas (inclusive a atriz Lupita Nyong’o, que interpreta a espiã Nakia, revelou em seu perfil no Twitter que não conseguiu comprar ingressos), maior bilheteria de fevereiro (derrotando o excelente Deadpool) e melhor nota no Rotten Tomatoes em filmes do gênero, com 97% de aprovação. O longa também está com 88 no Metacritic e 7,6 no IMDb. O filme é dirigido pelo jovem Ryan Coogler, que já havia dirigido Creed – Nascido para Lutar (2015).

A história dá continuidade aos eventos de Capitão América: Guerra Civil, com a volta do príncipe T’Challa ao seu país de origem – a fictícia nação de Wakanda – após a morte de seu pai, para assumir a coroa. Wakanda é extremamente desenvolvida tecnologicamente e absolutamente isolada do mundo, como uma forma de preservação e proteção contra interesses externos, dada a sua riqueza proveniente de ser uma mina de vibranium (material fictício de extrema resistência e valor, usado no uniforme do Pantera Negra e no escudo do Capitão América).
Esta utopia afrofuturista traz em si um dilema interessante que permeia o filme: o que é mais importante, ajudar a si mesmo e o seu povo ou ajudar o mundo? Como em diversas situações do mundo real, essa é uma questão que pode ser encarada de diferentes formas. Tal qual os movimentos pelos direitos da população afro-americana tinham vertentes diferentes, com líderes como Malcolm X e Martin Luther King Jr., o filme também mostra um conflito de ideias com um ideal comum de autoproteção. Isso também dá grande profundidade aos personagens, independente de onde eles se localizam no espectro maniqueísta de bem e mal, tão presente (e talvez até importante) em histórias de super heróis.
Quanto a esta questão do afrofuturismo, vale ressaltar também o visual do filme, que encanta e maravilha os olhos. A maquiagem, o figurino e o design de produção são um show à parte. Talvez não seja o que a Academia busca em uma obra, mas com certeza encanta a audiência. Não sou um especialista em cultura africana, mas aparentemente muitos traços culturais estão presentes na película: as cores, as texturas, as padronagens. O filme parece respeitar muito as origens que busca representar.

E falando em representar, o elenco também é muito bom e parece muito engajado em passar uma mensagem. Chadwick Boseman encabeça o filme que também conta com Michael B. Jordan, a já citada Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Daniel Kaluuya, Forest Whitaker, Martin Freeman e Andy Serkis, para citar alguns. Este é, na verdade, o segundo filme de super herói estrelado por um personagem negro (o primeiro foi Blade, de 1998), mas o primeiro com um elenco formado por uma maioria de atores negros. Seja o primeiro ou o segundo, o que importa é que é ele busca representar na telona uma população que não vinha sendo representada, com uma maioria de homens brancos à frente de diversas franquias do gênero quadrinhos.

Além da questão racial, o filme também mostra mulheres fortes e guerreiras, literalmente. A general de Wakanda é uma mulher e lidera um grupo totalmente formado por mulheres que protege o rei. A principal mente científica e tecnológica do filme também é uma mulher, Shuri, irmã de T’Challa e uma personagem divertidíssima. Vale ressaltar também que o Pantera Negra é um dos homens mais inteligentes do universo Marvel, não apenas um forte guerreiro, o que mostra um certo respeito dos seus criadores – Stan Lee e Jack Kirby, dois homens brancos. O personagem apareceu pela primeira vez em 1966, juntamente com o Partido dos Panteras Negras, organização revolucionária que lutava pela defesa da população afro-descendente.

Pantera Negra, além de lindo, tem cenas incríveis de ação, luta, perseguição, mas o seu principal destaque é para a representatividade que ele traz. Eu, como homem branco, jamais vou poder apreciar a qualidade deste filme em sua totalidade. E olha que eu apreciei muito ele. Acho que é um dos melhores trabalhos da Marvel no cinema, se não o melhor. Mas talvez mais importante do que eu dizer alguma coisa, seja a população que este filme representa ter algo para dizer e, por isso, vemos no pelo mundo projetos como o Black Panther Challenge, iniciativa de financiamento coletivo criada para levar crianças negras ao cinema para ver o herói. Eles já conseguiram juntar mais de 400.000,00 dólares, dinheiro suficiente para levar mais 30.000 crianças ao cinema.

Em Porto Alegre também existe uma iniciativa semelhante, que está sendo conduzida pela jovem Vitória Sant’Anna Silva. É possível fazer doações para a conta dela do Banco do Brasil (Ag 1899-6 / Conta Corrente: 52120-5) ou entrar em contato pelo Facebook dela ou Whatsapp (51 98687-0624). A ida ao cinema será na próxima terça feira, então você tem hoje, domingo e segunda para doar valores múltiplos de R$14,00 (valor de um ingresso). Vamos ajudar essa grande iniciativa! O Despressurizando vai doar dois ingressos e você, quer ajudar também?

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