Crítica – Com Amor, Simon (Caroline Borba)

Amigos e amigas, olar! Hoje teremos uma contribuição muitíssimo bem-vinda dessa jornalista e redatora que vem nos falar sobre um dos grandes filmes de 2018! Sem mais delongas…

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AH, VAMO NESSA!

Se durante a adolescência todos nós temos um número considerável de crises existenciais (ô fase complicada!), imagina saber que você é homossexual e não conseguir falar sobre isso com seus amigos ou família? Essa é a história de Simon Spier (interpretado por Nick Robinson) em Com Amor, Simon. Baseado no livro Simon vs. A Agenda Homo Sapiens, de Becky Albertalli, o filme trata de um tema ainda considerado tabu, mas de uma forma mais divertida e, ao meu ver, simples.

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Fonte: IMDb.com

Simon tem 17 anos, uma família (aparentemente) liberal e três grandes amigos. Quando um jovem de sua escola, usando o pseudônimo de Blue, assume na internet que é gay, gerando muita especulação, Simon vê uma chance de falar com alguém que passa pelo mesmo que ele. Eles começam a conversar pela internet e desses diálogos surgem questionamentos como, por exemplo, por que a norma padrão é ser heterossexual? E como seria se os heteros precisassem ‘se assumir’? Na verdade, por que as pessoas precisam assumir alguma coisa? Situações que são retratadas de forma divertida pelo diretor Greg Berlanti (das séries de TV Flash e Supergirl), que usa a comédia na medida certa para brincar com o tema, mas também estimular a reflexão sobre as normas impostas pela vida em sociedade.

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Fonte: IMDb.com

Conforme o tempo vai passando, Simon começa a se apaixonar por Blue e tenta descobrir quem é esse colega misterioso. Decidido a assumir sua sexualidade somente quando se sentir pronto e considerando que ele ainda está se descobrindo, Simon segue enrolando o pai e os amigos. Quando chega o momento de revelar a verdade, Simon recebe apoio e compreensão das pessoas que o cercam. Isso o torna uma exceção, visto que a realidade da maioria das pessoas não é essa. Contudo, por se tratar de uma história de amor, o filme cumpre o seu papel. Sua intenção não é aprofundar a discussão sobre a sexualidade ou envolvê-la em uma carga dramática, mas tentar ao máximo ‘normalizar’ a situação. Uma pessoa não deveria temer expor suas preferências ou mesmo se sentir obrigada a falar sobre elas. Da mesma forma, as outras pessoas não deveriam querer julgar a escolha de alguém. Afinal, por que o que é diferente da norma incomoda tanto?

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Fonte: AdoroCinema.com

A escolha do elenco se mostra inteligente, com destaque para a atuação de Nick, que nos entrega um Simon carismático e gentil (com um tom mais dramático somente quando necessário); para Katherine Langford (a eterna Hannah Baker de Os Treze Porquês) que nos apresenta a melhor amiga de Simon como uma jovem insegura e que também precisa lidar com as angústias amorosas da adolescência (apesar de não ser a mesma situação de Simon) e para Jennifer Garner e Josh Duhamel (que fazem os pais do protagonista), que mesmo sem aparecer tanto no filme conseguem nos emocionar com gestos de compreensão e o amor quando o filho conta a verdade.

Com uma abordagem diferente da maioria dos filmes que tratam sobre o tema, Com Amor, Simon tem uma linguagem voltada ao público adolescente (é dos mesmos produtores de A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel), mas consegue também dialogar com os públicos de outras faixas etárias. Uma história leve, envolvente e divertida que nos mostra que não é preciso passar pela mesma situação que alguém para sentir empatia.

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