Estamos de volta! E o momento exige um post falando sobre o grande assunto do momento: a Copa do Mundo (e a nossa eliminação frente à Bélgica). Já vou adiantando, aproveitando que estamos bem no início do post, vai juntando as pedras porque pretendo defender algumas opiniões que vão contra a visão da maioria, incluindo possivelmente você.
Eu estou muito triste com a saída do Brasil da Copa. Já vinha há meses dizendo “Esse ano é nosso! Tite é o cara! Essa seleção está muito boa!”. Quando a gente se investe emocionalmente é mais difícil. E a gente se investe mesmo, não adianta dizer que não e também não adianta ficar com aquele papo de pão e circo que não vai colar. Eu gosto de futebol e por mais que isso seja algo absolutamente supérfluo para o bom andamento do mundo, eu gosto e me importo. Aproveito para te perguntar: o que não é? (Imagino que quem faz essa crítica não dedica seu tempo exclusivamente para o bom andamento da nação, mas cada um leva a vida como quer.)
Como eu, tem muitos por aí que ficaram extremamente tristes e desapontados por apostar em um resultado e ver outro. Infelizmente, faz parte. Um ganha, outros trinta e um perdem. Podemos ficar argumentando: e o Neymar cai-cai, e o Fernandinho que falhou, e o Gabriel Jesus que não marca gol e por aí vai. Eu fui um que ficou acompanhando a transmissão e gosto destas discussões, mas me incomoda a proporção que ela toma. Discutir a tática e imaginar cenários é um exercício divertido, no entanto, alguns ânimos ficam tão exaltados que chegam a assustar. Comentários violentos e racistas não foram casos raros e isso é condenável, sem desculpas. Mas eu vejo que outras pessoas que estavam tão apaixonadas pela Copa e pela Seleção mudam diametralmente de opinião e comportamento, passando a odiar tudo com a mesma intensidade.
Compreendo que isso faz parte da expectativa. Se não dá certo, nos decepcionamos e agimos em cima disso. Mas tenho lido alguns comentários e ficado um pouco incomodado com eles, mais do que com o resultado em campo. Nós precisamos achar alguém para culpar nessas horas. Não deveríamos, mas precisamos. Sempre tem que ter um Cristo para ser jogado na cruz para que o povo possa sossegar. Hoje é, principalmente, o Fernandinho por ter feito um gol contra (azar, na minha visão) e por não ter parado o contra ataque no segundo gol (aí sim falha tática, ao meu ver). E tem muito ódio ao Neymar também – desde o início da Copa – não sei se por uma desaprovação com relação à vida que ele tem e como ele a leva, se por algum tipo de inveja, por um sentimento de decepção com a expectativa em relação ao maior expoente do escrete Canarinho (e até mesmo um dos maiores do certame todo), ou pelo que for.
Na verdade, quando perdemos não é apenas por um lance ou por outro, mas sim por uma série de lances. Obviamente, algumas jogadas fazem diferença. Mas e todas as outras? E todas as outras bolas que não entram? Não era o nosso jogo, infelizmente. Quase fizemos com Thiago Silva, com Fernandinho, com Coutinho e especialmente com Renato Augusto. Não crucificamos eles, mesmo que cada uma das suas jogadas também pudesse ter mudado a história do jogo. Por que não colocar um peso igual sobre uma jogada que poderia ter um efeito igual? Porque não pesamos o bom e o ruim da mesma forma, mesmo que tenham “intensidades” e efeitos semelhantes.
Pelo menos foi uma derrota com o time brigando. Gostei de ver que o Brasil conseguiu manter o ritmo e atacar mesmo com o placar desfavorável. O time tentou e não conseguiu. Tem dias que tu olha uma partida e pensa “não vai sair gol aqui nem se esse jogo durar uma semana”. Não sei se esse era o caso especificamente, mas estava quase sendo isso, com bolas passando perto ou o goleiro Courtois salvando. Até acho que se tivéssemos empatado, teríamos mais chances de virar na prorrogação do que levar mais um gol.
Dava para ter ganhado. Dava para termos ficado do outro lado da chave e ter pegado um caminho mais fácil. Dava para não termos lesões, cartões, etc. O Casemiro também não tem culpa por ter sido suspenso e nos deixado com Fernandinho de titular? Como eu disse antes, acredito que temos que ver a coisa em uma perspectiva mais ampla e não apenas avaliar questões pontuais na hora de fazer essa análise. Houveram erros, falhas, um pouco de azar e estamos fora da Copa. Que droga! Eu queria muito ter ganhado. Adoro Circo.
