Segunda-feira retomamos a pilha! Vocês já viram a primeira parte da análise que o @marcelohomrich fez sobre a participação brasileira na Copa do Mundo? Clica ali que, logo, logo, vem a parte 2. Já que ele falou sobre o Brasil, eu quis trazer um assunto análogo: a segunda temporada da série brasileira 3% já está disponível na Netflix desde 27 de abril e, durante esse hiato das últimas publicações, assisti aos dez novos episódios e eu gostaria de compartilhar minhas impressões.
Mas primeiro às coisas primeiras: 3% é uma série brasileira oferecida pela Netflix, que conta, resumidamente, a história de um método de ascensão social envolvendo duas estruturas diametralmente opostas. As pessoas nascem no “Continente”, uma cidadela no fundo de um penhasco, onde há pouca água, pouca comida, mas muito crime e ainda mais esperança de mudança. Aos 20 anos, todo cidadão do Continente tem a chance de mudar de vida, sair dessa miséria e viver, pelo resto da vida, no “Maralto”. Nem todo cidadão, no entanto, fará essa transição. Apenas 3% dos jovens de cada ano vão passar naquilo que os cidadãos do “Maralto” intitularam “O Processo”.

Isso já me leva à primeira análise e ao primeiro demérito da segunda temporada. Enquanto a temporada de estreia se dedica a apresentar um grupo de personagens que encara o Processo, a seguinte avança na expansão do universo do enredo para muitos lados diferentes, deixando praticamente de lado o próprio Processo. Eu fui pra segunda temporada pronto para conhecer a nova classe de postulantes ao Maralto e fui agraciado com Glorinha e, bem atrás, Ariel. Aliás, a temporada literalmente acaba antes de o Processo efetivamente começar para os sucessores de Michele, Joana, Rafael e Fernando.
Falando neles, queria discutir um pouco os personagens também. O arco do Ezequiel foi muito bem executado, mesmo que tenha ficado pouco elaborada a entrada da Marcela, com a importância que tinha, na segunda temporada sem ter sido mencionada na primeira. Ele, apesar da atuação limitada de João Miguel, conseguiu se manter no controle das decisões – inclusive a rápida decisão de ir atrás do grupo do processo 104, que lhe custou a vida.

Outro pico do espetáculo é o arco de Fernando. Durante os dez episódios, vemos Fernando rejeitar praticamente todas as oportunidades que recebe. Depois da eliminação na própria prova (que terminou o péssimo arco da primeira temporada), Fernando reaparece mais ressentido, mais maduro, sem o dinheiro e morando ainda com o pai – mas descrente e crítico em relação ao Processo. A evolução que leva ele ao quase sacrifício, à liderança da Causa e à terceira comunidade é incrível, pois ele ajuda a Causa enquanto a recusa, aceita a paga de sangue enquanto desconfia da intenção que o levou até ali e, na mesma conversa com Michele, confia e desconfia, cede e reluta, pra mim o melhor personagem da série até agora.
Por outro lado, Joana, Michele, Rafael e Marco (SIM, MARCO) têm arcos paupérrimos e que praticamente não fazem sentido. A dedicação de Rafael à Causa e a sua nova namorada fazem dele absolutamente incoerente. Joana passa 6 episódios movida a ódio pra sentimentalizar na reta final. Michele é absolutamente imprevisível e não há clareza nenhuma sobre em que direção os pensamentos dela vão. E Marco… olha, se tivesse ficado morto era melhor.
A série foi renovada pra terceira temporada e eu acho que vai rolar uma diferença entre o Maralto, o Continente e o novo espaço a ser ocupado. Acredito em uma ruptura temporal para a próxima temporada: vários anos de “Processo” ainda passarão, enquanto Michele e Fernando constroem o terceiro ambiente. Imagino que Glorinha passe no Processo (provavelmente Ariel também) e o futuro coloque os amigos de infância em rota de colisão. A expectativa que faço é alta! Vem 2019!

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