Já tínhamos revelado aqui que não seríamos “chapa branca” para nada politicamente. Acreditamos, entretanto, que esse é o momento de nos unirmos – não em torno de um ideal ou candidato, mas em torno de um processo. O Brasil já havia deixado claro desde a história do Rinoceronte Cacareco que a nossa principal estrutura democrática serve pra várias coisas. Acontece que hoje parece que a gente esqueceu qual é a sua principal função:
Escolher nossos representantes.
E não pequemos pela falta de penso, vamos problematizar: pra quantos fins já destinamos nossos votos? #meuamigosecreto já confessou que votou na ~candidata gostosa~; #minhaamigasecreta já votou contra as convicções porque trabalhava na campanha do partido e, claro, #meuconhecidosecretoporquenemamigoé já contou em mesa de bar que anulou o voto para vereador.
O fato é que estamos dentro desse processo que culminará com a troca (ou manutenção) de 55 deputados estaduais, 31 deputados federais, 2 senadores e um governador para os gaúchos – além do presidente da república. Outro dado importantíssimo é: o tempo de reclamar dos candidatos já acabou (porque não teremos novos). Isso quer dizer que um dos 13 candidatos à presidência estará com a faixa dia primeiro de janeiro de 2019.
Ok, guris, e a tal da “união” fica onde? Despressuriza um pouco, pega um café e vamos com calma que a gente chega lá. São 4 pensamentos (e um fusível) que todos devem ter pra se arrependerem menos dos seus candidatos em 2022. Aqui vamos nós!
Primeiro: O voto não é obrigatório no Brasil, então VOTA CERTO.
Tá, tá, a lei diz que o voto é obrigatório no Brasil, mas a gente sabe que não é: a penalização por quem justifica voto é convidativa; há uma multa para quem não vota e não justifica que também não causa constrangimentos públicos (literalmente mais barato que uma passagem de ônibus em Porto Alegre) e, também por conhecimento público, temos duas opções de recusar a obrigação eleitoral bem em frente à famigerada urna. Brancos e Nulos. Isso não é votar. Isso não é contribuir para um futuro melhor. Isso é garantir que o líder de votos precise de um voto a menos para ser eleito.
Não temos como debater opiniões políticas aqui, então vamos criar essa diferenciação entre votar BEM e votar CERTO.
Well, podemos votar mal e certo, bem e errado, vocês entendem. Votar CERTO é usar o voto da maneira adequada, não como os ditos cujos acima usaram. Votar CERTO é exercer o poder democrático e indicar alguém preparado para cumprir as funções para as quais é candidato. Votar BEM não está distante de votar em quem fulano ou beltrano acha que é o melhor dos candidatos. Yeap, isso significa que vamos nos focar em votar CERTO.
Segundo: Respeita o prazo dos mandatos.
Quanto tempo dura o mandato de quem vocês vão eleger? Para os senadores 8 anos; para os outros, 4. Isso significa que vocês não podem esquecer seus candidatos nos próximos 4 anos, no mínimo! Deem um jeito, colem o santinho usado no criado-mudo, sei lá, mas não esqueçam. Vocês são responsáveis por esses caras. Aliás, cobrem do candidato eleito que respeite seu compromisso. Daqui dois anos tem eleição municipal e metade desses malandros vão vir pedir voto de novo, achando que vocês não lembram que o mandato tem 4 anos.
[dica do blog: vejam quantos votos foram necessários para o último deputado eleito em 2014 e qual o deputado empossado com menos votos e comparem]
Terceiro: No primeiro turno, segue o teu coração.
Não é sentimentalismo, juramos pra vocês. Dando nomes aos bois, muita gente tem medo de que o Bolsonaro seja eleito em primeiro turno. Pra quem não vai votar nele, qualquer voto que não seja nele ou nulo é contra ele. Ainda sobre presidente, pensem na força do candidato escolhido: não é hora de ser egoísta e querer apostar em cavalo vencedor. A gente costuma olhar sempre para os dois primeiros, numa lógica pragmática pensando no segundo turno, mas calma; a quantidade de votos de cada candidato determina a força do partido para influenciar os apoios de segundo turno e possíveis quadros do governo. Não sei se fui muito claro, então vai um exemplo:
Eymael (DC) e Vera Lúcia (Marvel PSTU) vão para o segundo turno. São conceitos completamente diferentes. Uma comunista e um cristão. Mas o terceiro colocado é o Goulart Filho. Para que qualquer um possa vencer seu oponente e, convenhamos, governar, será necessário ceder, em termos de projeto e de composição de governo, a algumas exigências da população cujo candidato não chegou ao segundo turno, na medida da votação que fizeram.
Então parem de achar que o voto de vocês vai decidir a eleição e que, combinando com os colegas da mesma bolha, vocês farão um impacto nacional relevante. Tirem proveito, cada voto é secreto e praticamente insignificante, então entreguem ele pra quem mais anima o coração, sem grandes cálculos e previsões com base em pesquisa eleitorais.
Quarto: No segundo turno, segue teu nariz.
Queríamos usar um eufemismo aqui, mas não vai dar. Segundo turno é cara-ou-coroa. Se teu candidato não passou pro segundo turno, não adianta chorar ou se rebelar. Eleição é poder da maioria e tem que ser respeitada. Agora, olhemos pra frente.
A tua chance de votar no mais amado já passou. Agora é o momento da impugnação. Se no primeiro turno tu incentiva, no segundo tu repreende. Segue teu nariz significa especificamente “vota no menos pior”. Um passo além nesse processo seria tentar aliar a escolha do candidato de segundo turno à composição das câmaras e senado – ou para impedir ou potencializar as pautas que a próxima do legislativo com a caneta presidencial. Mas isso é papo pra outro dia.
E é isso. Tomando esses quatro passos simples, a gente pode ter a certeza de que vota CERTO. Mas calma, ainda não acabou. De agora até sete de outubro – e de 2018 até 2020, 2022 e, bom, sempre – precisamos ativar um fusível que condiciona todos os quatro passos recém mencionados.
VAI ATRÁS!
Pesquisa, desconfia, questiona, pergunta, fiscaliza, conversa com os amigos. Não arrisca amizade por pensamento político, Não reduz uma pessoa a dois dígitos. Oferece teu ouvido e propõe ideias. Se o Brasil depende de nós, vamos vencer isso pelo diálogo!







Deixe um comentário