No último final de semana, concluí o livro “O Arquipélago Vol. 3”, de Erico Veríssimo. Com essa leitura, terminei também a saga de “O Tempo e o Vento” e me despedi dos Terras, dos Cambarás, dos Quadros e até dos Carés.

Durante os 18 meses em que convivi com a trilogia, me encantei com a visão do autor sobre a história do Rio Grande do Sul. Magia, história, ficção e realidade se fundem de maneira incomparavelmente delicada e esse livro marca um antes-e-depois da minha vida como leitor.
A narrativa de “O Tempo e o Vento” me transbordou verdadeiramente. Poderia (e adoraria) ficar horas a discutir meus acontecimentos, personagens, e épocas preferidos – e também os momentos monótonos, que preparam o leitor para os vários climaxes da obra. Um elemento, porém, foi preponderante para mim.
Erico Veríssimo fez sua obra recender a sensibilidade. Mesmo com guerras, assassínios, rusgas e crimes, em toda página se encontra uma palavra doce, nostálgica. Não consigo deixar de pensar que, se essa obra fosse escrita por um autor americano ou europeu, já teríamos visto algumas versões cinematográficas da vida de Santa Fé. O outro lado dessa moeda é pra mim muito claro: histórias seriam inventadas pela razão da rentabilização da audiência – o que Floriano fez enquanto morava no Rio, como era a vida de Don Pepe na Espanha, etc.

“O Tempo e o Vento” morreu. O tempo passou e o vento soprou pra longe a história e seus personagens. O luto que essa história deixa é a memória de familiares coletivos, que são os antepassados de todo rio-grandense. O consolo que o autor nos deixa é poder revisitar esse passado e contemplar (celebrar) a passagem do tempo através do crucifixo de nariz quebrado e do punhal de prata do Pe. Alonso. Que história!

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