Nessa semana, o Despressurizando saiu da própria órbita! Nossa primeira publicação da semana, a Resenha: Uma Noite Dessas – Deborah Secco, atraiu os olhares da própria atriz, para nosso espanto e delírio! Obrigado, Deborah e todos os fãs da atriz que nos visitaram. Voltem sempre!

Dito isso, bora despressurizar!
Essa semana fui convidado para conversar com alunos de graduação sobre a carreira acadêmica em uma mesa redonda na ESPM de Porto Alegre. Era o último painel de um evento chamado ADM Share e eu fiquei muito feliz com o convite. Acho que essa linha de trabalho é pouco incentivada na graduação, que acaba ficando muito voltada para o mercado de trabalho.
No evento, eu tive que contar um pouco sobre minha trajetória e sobre minha visão do mundo acadêmico. Depois de discutir algumas visões, quis entrar nas vantagens de ser um pesquisador/professor. Acredito que é muito importante valorizarmos a busca pelo conhecimento. Um pesquisador é um profissional que se dedica integralmente a isso, por isso é tão importante para a sociedade e deveria ser mais reconhecido.

Não só a busca de conhecimento é um ponto importante, mas também a disseminação dele. De pouco adianta fazer uma descoberta se ela não for compartilhada. É importante buscar revistas dispostas a propagar os nossos achados ou inscrever-se em congressos para mostrar o trabalho, mas mais importante ainda – na minha visão – é o papel do professor.
Não valorizamos com deveríamos esse profissional, especialmente na educação de base. Essa é uma profissão que exige paixão, pois não é facil. E o que ela tem de sigilo, ela tem de nobre. Acredito que o caminho para uma sociedade melhor é através da educação e isso passa diretamente pelos profissionais envolvidos, especialmente os professores. Muitos de nós tivemos mestres que nortearam aspectos importantes da nossa vida adulta, nossos gostos, nossa profissão, que nos inspiraram e motivaram.

Precisamos valorizar o conhecimento. A forma com que encaramos a nossa educação diz muito sobre quem nós somos. Sejamos pessoas melhores, vamos enfrentar os desafios da educação com seriedade, vamos priorizar o que é, de fato, prioridade. O caminho para um Brasil melhor é esse.
Aproveito esse rápido desabafo sobre educação para agradecer aos meus mestres, da pós graduação voltando até o jardim de infância. E muito obrigado ESPM, por me formar e por permitir que eu compartilhe um pouco do que aprendi com meus futuros colegas profissionais.
@octavioff
A educação sempre foi tema dos assuntos da minha família, e não por acaso: tenho uma irmã e uma tia pedagogas, além de duas outras tias professoras de português e uma de matemática. Minha vó foi professora e minha namorada hoje faz mestrado. De fato, tudo isso fortalece uma convicção formada em mim de quão importante é cuidar da educação.
É bem verdade que não foi sempre assim: não fui um exemplo incrível de aluno durante meu período escolar. Nunca fui um aluno muito estudioso – inclusive repeti um ano no colégio – e confesso que vivia a lógica da média 7 (o menor esforço necessário para ser aprovado) até boa parte da minha trajetória no ensino superior. Apesar disso, tive alguns pontos de inflexão que mudaram meu desenvolver.

Só fui ter aula de literatura, se bem me lembro, no meu primeiro ano do ensino médio, em 2006. Lembro que, até esse ponto da minha caminhada estudantil, levei a vida escolar com arrogância e displicência. Lá pela sexta entrou nesse conjunto desfavorável a minha adolescência e a rebeldia nela contida. Então já viu, né?

Mas eu, que no ano 2000 já tinha um hábito de ler – graças a Harry Potter e os livros das séries “Turma dos Tigres” e “Salve-se Quem Puder” – descobri na disciplina de literatura o novo peso gravitacional da minha atitude na escola. No primeiro ano, tinha um professor apenas que lecionava Redação, Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Nesse caso, minha afinidade com as letras (e a didática sempre poética do professor) me permitiu um aumento valioso das médias em Português e Redação. Mas logo em seguida eu troquei de colégio e, muito graças à literatura, minha participação escolar mudou.
No novo colégio, escolhi uma turma que, ainda hoje penso, tinha muitas mentes brilhantes e questionadoras que me motivaram a também perguntar, tentar entender e me posicionar frente ao meu estudo. E tinha a professora: uma mulher genial que me apresentou muitos dos clássicos que hoje compõem minha estante mental de referências. Até hoje não sei se ela compreende o quanto influenciou meu gosto pela escrita, por apontar em cada obra literária onde estava o sentimento do autor, o seu tesouro.
Inclusive, o post inaugural desse blog, O campo das batatas, traz aquela que é a principal influência das minhas aulas de literatura no colégio. Se hoje eu posso dizer que escrevo e gosto de escrever; se hoje eu posso me atrever a dizer que tenho um estilo de escrita, é graças, indiscutivelmente, a todos os gênios com os quais convivi – colegas, professores, autores. Mais uma vez, obrigado!

Semana que vem tem mais, vem despressurizar!

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