Os adultos que jogavam video games

Por diversas vezes me pego pensando no que é maturidade, o que é ser “gente grande” e o que é realmente crescer. Talvez eu faça isso como uma forma de compreender a condição das pessoas, talvez como uma forma de me justificar em certas escolhas. Mas a questão é que é uma pauta que me interessa.

Penso nisso, pois sou um adulto (acho) e sigo me interessando por muitas coisas que gostava quando pequeno: gosto de video games, gosto de quadrinhos, gosto de super herois. E vejo que muitas pessoas também apreciam isso tudo. Filmes da Marvel e da DC são os campeões de bilheteria no mundo (juntamente com outros como Transformers, por exemplo, que é baseado em uma linha de brinquedos e em um desenho animado); jogos de XBox/Playstation como GTA ou Battlefield, quando lançados, vendem inclusive mais do que muitos blockbusters de Hollywood; e o mercado de quadrinhos segue firme. Incluo aqui também os caríssimos action figures, que muitos podem diminuir como meros bonequinhos.

Mario ao longo dos anos
Se até o Mario evoluiu, por que algumas pessoas continuam com a cabeça no passado?

Acho que isso é um fenômeno curioso. A ideia de que adultos não brincam ou assistem desenhos está caindo – ou pelo menos mudando. Se eu gostava de jogar Mario no Super Nintendo, não tem problema nenhum em eu querer continuar jogando no Nintendo Switch. Dizer que essas brincadeiras são coisas de criança são uma visão tão antiga quanto os jogos em 16-bits. Mas a atualização ainda vai chegar para quem pensa assim. No mundo de hoje, não existem mais caixinhas (ou pelo menos não deveriam existir).

“Grandes poderes vem com grandes responsabilidades”, já diria o Tio Ben de Homem Aranha. Se a pessoa tem responsabilidades e cumpre com elas, com os seus deveres, ela pode se dar o direito de assistir a um desenho no Netflix, jogar um Fifa e gastar o quanto de dinheiro ela quiser em uma réplica da Hulkbuster de Vingadores 2: A Era de Ultron. E mais ainda, tem o direito de fazer tudo isso sem ter que ficar ouvindo letrinha ou crítica de outros adultos” que não se divertem, nem de perto tanto quanto ela porque acham que tem uma cartilha de “adultez” a seguir.

maturidade
Hulkbuster da Hot Toys (eu queria um desses).

Se tu acha que um adulto não deveria usar uma camiseta do Batman, por exemplo, não consigo nem imaginar o que tu deve pensar de quem faz cosplay (ou seja, se fantasia de algum personagem para ir a eventos que não sejam exclusivamente festas à fantasia). Daqui a pouco, tu pode até me trazer a psicanálise para dar algumas explicações, mas eu vou procurar algum psiquiatra que me explique porque tu é tão chato.

Vamos jogar uma partida de Mario Kart, enquanto discutimos isso. Depois me diz se tu não muda de ideia. Tenho umas dicas de desenhos no Netflix para te sugerir. Não adianta também ficar naquele clichê de manter o espírito de criança, de ficar com a pureza da resposta das crianças ter vergonha de ser feliz.

Se tu paga teus boletos e respeita os outros, faz o que tu quiser com teu tempo livre e com o teu dinheiro. Mas se for jogar uma partidinha no Play, me convida. Agora com licença, que eu vou ali terminar um capítulo de The Sandman, assistir um episódio de Rick and Morty e ver se meu Funko Pop do Deadpool já chegou no correio.

deadpool funko
Mini Mercenário, mini boca.

 

Ps.: sim, o título desse artigo é a minha forma click bait de chamar a atenção e fazer uma crítica a esse recurso, de me valer de algo que fez sucesso para chamar a sua atenção.

2 comentários em “Os adultos que jogavam video games

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  1. Muitas verdades, Marcelo.

    Eu sou um adulto (também não tenho certeza) que curte todas essas coisas.
    Quase pirei quando saiu o “Sonic Mania” há menos de 40 dias.
    E estou me divertindo demais com a nostalgia dos anos 90s.

    Infelizmente, há muitas pessoas a meu redor que consideram isso tudo criancisse.
    Assim, tenho que “guardar segredo” quando alguém me pergunta o que faço para relaxar.
    “Leio, assisto a um filme…”, é o que respondo. Não é mentira, mas não é toda a verdade. E me poupa de muito estresse que a verdade causaria.

    Fazer o quê?
    Acho que você tem razão: a evolução vai chegar para essas pessoas também.
    Enquanto isso, a gente vai jogando longe deles.
    Se estiver na PSN (ou SEN, não sei mais), procure por “sky19walker84” e a gente vê se joga algo em comum.

    Abraço,
    Lucas Palhão

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