Como é difícil voltar a escrever! A tela vazia aqui na minha frente é de um deboche descomunal. Escrevi essas duas primeiras frases para começar a dar corpo ao texto, agora que já começou, vai fácil – de repente até apago esse primeiro parágrafo quando terminar de escrever… Ou não.
Recentemente, eu e a Ana, minha noiva, lançamos um podcast! Recomendo a toda a nossa incomensurável audiência que não perca a oportunidade de ouvir a mim e a ela nesse veículo. o Podcasar já tem 4 episódios e o episódio 5 vai ter menção ao Despressurizando também – te mete com esse crossmedia!
Enfim: pouco menos recentemente, estávamos em busca de uma série de comédia, com episódios de curta duração – algo como um sitcom, mas parem de insistir, a gente não vai ver Friends. Tenho certeza que o @marcelohomrich vai falar em algum momento sobre Space Force, então vou deixar essa pra ele. Encontramos uma série francesa da Netflix e é sobre ela que eu vou falar agora: se chama Family Business (ou Flagrantes de Família, na tradução para o português).

Essa série tem, atualmente, duas temporadas no catálogo da Netflix – e eu vou comentar ambas, porque sim são poucos episódios em cada temporada, eles são curtos e é possível cobrir toda a segunda temporada sem grandes spoilers da primeira.
ENREDO: A história é bem interessante. Não sei qual é o fundo de verdade das possibilidades, mas a mim aqui no Brasil, a trama pareceu “plausível”. A história é sobre uma família que, quando um de seus membros descobre que a maconha está por ser legalizada na França, decide preparar o açougue kosher que possuem e vai de mal a pior para se transformar na primeira cafeteria vendedora da Mary Jane. A partir daí, se havia alguma plausibilidade, as atitudes dos personagens deixam muito claro que é uma comédia pastelão: mentiras, decisões malucas, constrangimentos e discussões generalizadas são repetidas a cada episódio. Tirando o fato de que as leis da física e da biologias não são (muito) desafiadas, todo o resto é muito ilógico – como eu gosto. A segunda temporada mantém essa pegada, adicionando como personagem fixo uma traficante internacional chamada Jaures e seu capanga e a nova namorada de Gérard. Isso é uma coisa que eu valorizei bastante, a série parece fazer um bom esforço pra manter a narrativa entre a primeira e a segunda temporadas. Parece que o mote da primeira ainda não se perdeu – e tudo poderia ser apenas uma temporada maior.
ELENCO: Bom, eu não sei vocês mas eu não tenho muito conhecimento em cinema francês. Nenhum, na verdade. E como a série não mostra Gérard Depardieu, Brigitte Bardot, nem Alain Delon (eu avisei), eu não conhecia nenhum ator. Isso é ruim? Não mesmo. O personagem principal é Joseph Hazan (Jonathan Cohen), um empreendedor falido e desinteressado herdeiro de um açougue kosher (se acostume com a boucherie) também em vias de falência. Seu pai é o viúvo Gérard (Gérard Darmon), que não tem mais o tino pra manter o negócio, e quem efetivamente toca as finanças decadentes é Aure (Julia Piaton), irmã de Joseph. Compõem ainda o elenco regular a avó de Joseph; Olive, seu irmão de criação, Ali, seu amigo – e Aïda, irmã dele e romance secreto de Joseph. O entrosamento é muito bom e, à exceção de poucos momentos em que o roteiro não pareceu construir o conflito cômico (sabe aquela discussão que encerrava os episódios de “A Grande Família”? isso é o que eu chamo de conflito cômico), os atores tiram as situações de letra.
ENCAIXE: Eu gostei muito da série. As duas temporadas terminam seus episódios com cliffhangers e eu e a Ana não conseguimos assistir mais nada enquanto havia episódios por assistir. A série traz um protagonista que não é sex symbol, sua irmã é lésbica, toda a família é de religião judaica e existe amor entre idosos, ou seja; a história é muito diversa e nenhum desses assuntos vêm como militância, como imposição – lembrando que o catalisador dessa história inteira é, justamente, a maconha. Recomendo muito que assistam! E ouçam o podcast!


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