No dia primeiro de outubro, o Instagram @goodcharlotteband postou uma foto da capa de seu segundo álbum de estúdio, intitulado “The Young and the Hopeless”. 18 anos antes deste dia, as gravadoras Epic e Daylight lançavam o referido álbum. Repito: três conchada de galinha o álbum foi lançado há mais de 18 anos. Diferente de vocês, que pensam como são velhos, eu pensei imediatamente em como eu era em primeiro de outubro de 2002. A memória desse período me fez querer falar sobre esse CD, que eu tive, e sobre como esses 45 minutinhos de música influenciaram minha vida.

Tá, antes disso, não criem expectativas tão grandiosas. Eu não virei depressivo, não cortei os pulsos e, à época do lançamento do CD, eu já passava voluntariamente todos os meus sábados na Igreja – não precisa levar tudo tão ao pé da letra. Mas sim, esse CD mudou minha vida, afinal não era por acaso que o meu e-mail do msn era okaum_madden_46@msn.com (caso não saibam ou não lembrem, o vocalista e o guitarrista da banda são irmãos gêmeos, Joel e Benji Madden).

Em termos de contexto, a banda tinha lançado em 2000 um álbum homônimo, o primeiro assinado com a linha “Daylight” da gravadora Epic Records. O sucesso desse CD (que eu adoro, é a origem de “Little Things”, “I Heard You” e “Complicated”) foi bem abaixo do esperado. Aliás, uma breve digressão: sabia que nós fizemos uma playlist chamada More than Good Charlotte só com músicas que não viraram singles da banda? tem muita coisa boa lá! Enfim, depois de quase perderem o contrato com a gravadora – o que seria horroroso e provavelmente o fim da banda, porque eles se mudaram do estado em que moravam para estar perto da gravadora e do circuito de shows nos EUA – eles começaram a gravar um novo álbum com uma indefinição em um dos instrumentos: Aaron Escolopio saiu da bateria da banda para se juntar ao irmão na Wakefield, seu novo projeto – eu também nunca ouvi falar. A solução foi convidar Josh Freese (que tocou com Guns’n’Roses, Weezer, etc.) para assumir a gravação da percussão e depois, para as turnês, Chris Wilson se juntou à banda. Mas tá, vamos falar das músicas, que é o que interessa.

A New Beginning (01:49)
A banda começa o seu segundo cd com uma música instrumental. considerando que o primeiro álbum já começava com o riff icônico de Little Things, essa inovação se tornou característica da banda. A música começa com o que parece ser uma caixa de música, para depois entrar com toda a distorção que a banda ia usar durante a composição.
The Anthem (02:55)
The Anthem é, provavelmente, a música mais conhecida da banda até hoje, seguida de perto por “I Just Wanna Live” do CD The Chronicles of Life and Death. Ela é, como o título sugere, o hino daquilo que a banda representa – e praticamente um manifesto que, seguindo o espírito de Little Things, mostra uma decisão por ser alternativo, uma oposição ao modelo que valoriza os “cool guys” do College, os jovens ricos e seus futuros condenados ao sucesso e seus presentes como quarterbacks dos times de futebol americano. É claramente uma recusa a dançar conforme a música do status quo da época, e eu super me enquadrava.
Lifestyles of the Rich & Famous (03:10)
Essa é uma música que parece que foi feita pra envelhecer irônica. Aqui a banda faz uma crítica a como as coisas ficam mais fáceis quando se é famoso – inclusive a menção ao caso OJ Simpson, do qual eu só fui tomar conhecimento há poucos anos. Lembro bem de um show de Good Charlotte com Simple Plan em que fizeram um pot-pourri que misturava Shut Up com essa música e eu adorava.
Wondering (03:32)
Essa é uma das minhas preferidas do CD. Depois de duas músicas ácidas, a banda faz uma música animada e romântica. Claro, tem um pouco de submissão, mas tem algo mais adolescente do que não saber como lidar com a pessoa de quem se gosta?
The Story of My Old Man (02:42)
A música tem um início poderoso na bateria, que no DVD ao vivo na Inglaterra, Chris Wilson mantém por um tempão e foi uma das levadas decisivas pra eu querer fazer aula de bateria (a outra foi o Longineus Parsons III, que me fez parar a escrita desse texto para ouvir seus rolos no Yellowcard). A letra fez muito sentido pra mim no contexto da separação dos meus pais, que fazia pouco tempo e, embora a situação dos irmãos Madden seja pior do que a minha, eu me sentia muito representado.
Girls & Boys (03:01)
Embora essa música tenha umas das melhores melodias do CD, a letra envelheceu mal. O refrão diz literalmente “Meninas não gostam de meninos, meninas gostam de carros e dinheiro”. Não posso ser hipócrita e dizer que isso nunca pareceu verdade, mas hoje sei (e a banda certamente também) que é um pensamento raso – e muito frequentemente é reflexo de uma decepção amorosa. Aqui, mais uma vez, se percebe como o College fez mal pros compositores, na relação de sua família pobre com os meninos ricos que frequentavam a mesma escola.
My Bloody Valentine (03:54)
Essa música sempre me soou muito maluca… E ela era o prenúncio da era mais pesada que viria com o próximo CD, com riffs mais pesados e letras mais tensas. A diferença é que, nesse caso o autor se coloca como o autor de um crime passional e doentio, provavelmente como teste de até onde poderiam ir com a morbidez das letras.
Hold On (04:06)
Gente, é essa. Essa foi a música que me chamou a atenção pra essa banda. É uma das minhas preferidas até hoje – se bem que todo fã gosta de se apegar àquelas desconhecidas só pra mostrar que conhece. Eu ouvi a música pela primeira vez quando o clipe estreou na MTV e imediatamente fui tentar descobrir que banda era essa. Isso faz 17 anos (o clipe foi lançado em 2003) e desde então eu acompanho tudo o que o Good Charlotte faz. E tudo isso eu devo a Hold On e a música positiva que aquece os corações e ajuda a enfrentar os problemas que temos. Só de ler o nome já dá vontade de sair cantando HOOOOOOOLD ON IF YOU FEEL LIKE LETTING GO!
Riot Girl (02:17)
Riot Girl é uma música muito legal, tem uma levada muito animada e fala sobre uma garota-problema (que, sendo eu um pré-adolescente problema, era tudo o que eu achava que procurava). Uma guria rockeira que arruma confusão e tem raiva de tudo e que cria barraco. Graças a Deus eu cresci e vi que isso seria horrível pra minha personalidade, hahaha. Mas a música segue incrível!
Say Anything (04:21)
A música mais madura de todo o CD, sem dúvida. Uma letra consciente, conciliadora, ainda que um pouco triste. A bateria, mais uma vez, torna a música – que poderia ser um saco, com o tom baixo e a guitarra limpa – mais interessante. Paradoxalmente, existe uma versão acústica da música que é tão legal quanto, mas com uma versão alternativa do refrão.
The Day That I Die (02:58)
Quando o Orkut ainda tinha muita potência, eu era dono de uma comunidade dessa música. Ela chegou a ter mais de 1.000 membros! Eu adorei essa música do dia 1 até hoje, era um must play com meu parceiro de banda (e agora padrinho de casamento) Gustavo Jardim. Muitas noites, sozinhos no salão de festas do prédio da mãe dele, tocávamos e discutíamos essa música, junto com, é claro, Rooftops, da banda Mest.
The Young and the Hopeless (03:32)
A música que dá título ao CD é, também, um manifesto. Nesse caso, um manifesto de desesperança, de descrédito em si mesmo e toda essa dramatização que fazia bruto sucesso com os jovens. Eles queriam (e meio que precisavam) abraçar a fama de badboys, de outcasts, e essa música é uma declaração disso.
Emotionless (04:02)
Após a carta de independência da sociedade, seu atestado de não-conformidade, o CD apresenta uma carta cantada dos irmãos Madden a seu pai, que um belo dia, saiu pra comprar cigarros e nunca mais voltou. É uma música dolorida, que ao mesmo tempo em que acusa, afirma que mesmo sem a presença dele, os filhos vão sobreviver. Aquele clássico “Tá tudo péssimo, mas tudo bem” ou, como a música diz: “I’m not OK, but we’re alright”. Yep.
Movin’ On (03:26)
Fechando o CD com chave de ouro, uma música incrível, sobre como a vida anda e como a gente tem que andar com ela. Alguns amigos se tornam inimigos, outros se tornam a tua família. As coisas passam, a gente passa, esse post tá acabando e a gente tem que olhar pra frente, vivendo cada dia como se fosse o último e seguir em frente. Até a próxima!

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