Um assunto que venho pensando com frequência é sobre como devemos repetir certas experiências (boas, no caso). Em um mundo em que há livros demais para ler e pouco tempo na terra, bem como muitos filmes, séries e jogos, por exemplo, eu sempre dei preferência para ver coisas novas, descobrir novos assuntos.
Não sou psicólogo – mesmo que todo mundo ache que é um pouco – mas isso conversa com aquele termo F.O.M.O., o Fear of Missing Out (algo como “medo de estar por fora”). Pessoas como eu, e talvez como você, querem saber o que está acontecendo, do que as pessoas estão falando e ficam um pouco nervosas com o tempo passando se não estivermos fazendo alguma coisa nova e interessante.
Recentemente estou descobrindo os prazeres de repetir uma experiência, principalmente com produtos culturais. Ver, ler ou ou ouvir de novo algo que gostamos e que talvez tenha um pouco mais de suco para espremer. Perdemos alguns sustos e algumas surpresas, mas acho que conseguimos entender melhor a obra, perceber detalhes que passaram em branco da primeira vez e principalmente, revisitar um determinado mundo que nos trouxe alegria e diversão.
Essa pulga pousou atrás da minha orelha inicialmente quando revi toda a série Game Of Thrones esse ano, percebendo uma trilha de migalhas deixada pelos roteiristas desde a primeira temporada mostrando o que poderia acontecer no final. Olhei para alguns personagens com outros olhos, mudei de opinião e tive, de certa forma, uma nova experiência. GoT ainda tem outro fator para esta minha análise que é eu ter lido o livro, mais uma forma de experimentar a obra. E acho que se eu fosse dar uma dica, mais do que rever algo, é tentar consumir novamente aquilo em outras mídas.
Eu percebi de fato o quanto pode ser legal revisitar uma obra quando ouvi o audiolivro inspirado na HQ The Sandman, de Neil Gaiman (Deus na terra, na minha visão, amém). Descobri uma camada a mais de curtição ao desfrutar da obra em outra mídia. É algo que muitos já fazem ao ler o livro e ver o filme ou série, por exemplo, mas achei essa combinação HQ-Audiolivro muito legal, inclusive já estou fazendo com outras obras – por exemplo, recentemente audio-li (termo que não sei se existe, mas gosto bastante) Bonequinha de Luxo e agora pretendo ver o filme.
Normalmente, quando lemos um livro e depois vemos o filme, ficamos “ahh, mas o livro é melhor” ou “eu imaginava diferente”. Acho que o legal é encararmos como duas peças semelhantes, mas não iguais, com nuances e características diferentes que devem ser avaliadas com réguas diferentes também. Ajuda a compreender a obra e a tirar algo de bom novamente de uma boa história.
Então, se tem alguma história que vocês gostaram, recomendo que busquem outras formas de aproveitá-las. Tentem curtir outra vez.

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